Falta de ritmo não favorece os audazes

A falta de ritmo competitivo da Liga Desportiva terá sido o seu maior calcanhar de Aquiles, numa partida em que encontrou pela frente uma equipa desinibida e sempre bem disposta, sobretudo com muitos jogos no seu campeonato. Depois do remate de Kito, com selo de golo, aos 20 minutos da primeira parte, a equipa de Litos acordou, praticando um futebol mais circulado e objectivo, embora, em alguns momentos, fosse notória a falta de sincronia por parte de um e de outro jogador. A fotografia inicial da disposição da táctica ofereceu-nos um 4X4X2, com Kito, atrás de Washington, mas com o decorreu do jogo sofreu várias transformações, de acordo com as conveniências. Vejamos como actuou cada um dos jogadores escalados para o jogo com os ruandeses.

BALIZA

Milagre: ainda não sofreu golos em jogos oficiais. Demonstrou muita confiança entre os postes e no auxílio e comunicação com os companheiros da defesa esteve impecável. Não foi chamado para grandes intervenções por os ruandeses tiveram poucas oportunidades de rematar à sua baliza.

DEFESA

Mustafá: à semelhança do jogo em que a Liga defrontou o Ferroviário da Beira, para a Supertaça, demonstrou voluntarismo e com muitas ideias para acompanhar o ataque da sua equipa, mas faltaram-lhe pernas. A defender pode-se dizer que cumpriu.

Gildoe Chico: tanto um como outro bateram-se bem em jogadas por cima ou pelo ar. Não concederam espaços aos adversários para criar perigo, excepto quando, perto do intervalo, apanharam um sono profundo, deixando um ruandês em boa posição para marcar. Valeu que o talento não foi ao encontro deste, pois, caso contrário, outro galo cantaria.

Eusébio: No momento em que a Liga mostrou disponibilidade para atacar, esteve muito activo a atacar, ao contrário de Mustafá. Teve várias jogadas ofensivas, ganhando alguns pontapés de canto, sempre mal aproveitadas pelos campeões nacionais. Todavia, é preciso dizer que a defender, embora não tenha estado mal, enfrentou algumas dificuldades, quando os ruandeses decidiam apostar em jogadas de um contra um.

MEIO-CAMPO

Momed Haji: Foi incansável a defender, como a atacar. Foi dos jogadores mais esclarecidos da equipa de Litos. Portou-se como um verdadeiro trinco, sem aventuras, como tem feito em outras partidas domésticas.

Liberty: como dizem os entendidos, quando o físico não está bem, o intelecto não reage bem. O zimbabweano esteve lento nas missões em que era solicitado para lançar a equipa para o ataque. Não fez um bom jogo, mas também não se pode dizer que esteve mal. Em alguns momentos foi cirúrgico, com passes bem feito, infelizmente sem melhor seguimento.

Manuelito: ainda não se enquadrou e o jogo da Liga parece complicar o seu talento, que até abunda. Acredita-se que com mais jogos poderá ser útil à equipa. Contra o APR, esteve, praticamente, ausente.

Telinho: foi engolido pelos ruandeses. Tentou, por várias vezes, desequilibrar, puxando pelo seu lado tecnicista, mas conseguiu ser o jogador que Litos pretendia, ou seja, fugaz e esclarecido. Ainda assim, teve um remate, dentro da área, bem defendido pelo guarda-redes contrário. Nesse lance, Telinho podia ter feito um cruzamento atrasado para um colega de equipa, pois estava ligeiramente descaído para a linha de fundo. Foi substituído por Jerry.

ATAQUE

Kito: lutou bastante, principalmente, quando foi um dos homens mais adiantados da equipa. Apesar de não ter dito a direcção, fez o primeiro remate digno de registo por parte da Liga, dando início a uma nova fase da sua equipa. A intenção foi boa. Depois, com a entrada de Jerry, descaiu para o meio-campo e continuou a ser uma unidade de enorme valia e mesmo quando teve que baixar para o lado direito, em situação defensiva, quando Mustafá foi substituído. Boa exibição

Washington: chegou a fazer um golo, numa situação em que ficaram algumas dúvidas sobre o fora-de-jogo assinalado. A exibição foi boa, mas não parece estar ainda no seu melhor. É um jogador veloz, mas sem lucidez necessária para ser um avançado a quem se pede para fazer golos.

SUPLENTES

Jerry: entrou para o lugar de Telinho e, praticamente, não conseguiu esconder a falta de ritmo. Lutou com e sem bola, mas sempre sem discernimento. Está a procura de um golo para resgatar a confiança.

Andro: trouxe alguma vontade em atacar mais e mais. Apenas isso. Ainda não se reencontro com o Andro de outrora.

Zicco: foi a melhor unidade lançada para a segunda parte. Além da vontade em ajudar a equipa a encontrar os melhores caminhos à baliza contrária, cabeceou bem, de cima para baixo, nos últimos instantes do jogo, mas teve uma pronta intervenção do guarda-redes ruandês. Depois foi, claramente, carregado na sequência da jogada, mas o árbitro fez vista grossa ao não assinalar a grande penalidade a favor da Liga.

À ELIMINATÓRIA SEGUINTE

Nyusi crente

na transição

O jogo entre a Liga Desportiva de Maputo e o APR, do Ruanda, foi honrado pela presença do presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, e também do Ministro da Juventude e Desportos, Alberto Nkutumula, e do Governador da Província de Maputo, Raimundo Diomba. No final da partida, o dirigente de todos os moçambicanos mostrou-se triste pelo resultado, mas perspectivou um futuro melhor para os dois representantes moçambicanos em competições africanas.

Este é o segundo jogo da Liga Desportiva de Maputo e por isso não tem ritmo competitivo suficiente para conseguir um bom resultado. É uma pena que a Liga não tenha brindado a este público com uma vitória. Mesmo assim, estou optimista quanto a passagem à eliminatória seguinte, afirmou o presidente da República.

Texto de Joca Estêvão

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Fotos de Domingos Elias