Inspiração de Oliver salva os homens de Alex Kagame

O campo do Grupo Afrin testemunhou ontem a uma estreia da Liga Desportiva de Maputo nas afrotaças que podia ter sido feliz, não fosse a tarde de grande inspiração do guarda-redes dos forasteiros, Oliver, que negou remates e cabeceamentos que levavam selo de golo, sendo, por isso mesmo, o principal “culpado” pelo nulo com que a partida terminou.

Ainda na primeira parte, Oliver já tinha mostrado que, da parte que lhe cabia, faria de tudo um pouco para alegrar e orgulhar a sua equipa e às centenas de emigrantes ruandeses que presenciaram o jogo e puxaram ruidosamente pela sua equipa do princípio até ao fim da partida, eles que até tiveram direito a uma bancada reservada.

E o primeiro grande sinal dessa vontade de Oliver aconteceu aos 35 minutos, quanto há uma troca de bola à entrada da área, que termina com um passe a isolar Telinho, do lado esquerdo, mas quando muita gente esperava por uma boa conclusão eis que ao portentoso remate de Telinho o keeper responde com uma espectacular defesa.

O segundo grande momento de Oliver aconteceu perto do 5º minutos da segunda parte, quando num contra-ataque rápido a bola sobra para Manuelito que, à entrada da área e sem muitas cerimónias, ensaia um remate bastante forte, mas o guarda-redes, com bons reflexos, voou para o canto superior esquerdo e gorou, uma vez mais, o 1-0.

Aos 88 minutos foi a vez de Zicco (que não tinha entrado há muito tempo) tentar dar vantagem à sua equipa, mas o seu cabeceamento bem colocado encontrou uma resposta à altura do keeper Oliver, que com uma palmada evitou o golo. Esse lance acabou sendo um pouco polémico, pois a bola sobrou para o próprio Zicco, que na luta com o guarda-redes acabou caindo e reclamando penalty, mas assim o árbitro não achou.

O médio zimbabweano Liberty, exímio rematador à meia-distância, que ontem teve poucas oportunidades, engrossou a lista das “vitimas” da atenção de Oliver, num lance ocorrido já quase ao “pôr-do-sol”, isto aos 90+2 minutos, quando viu um seu remate ser anulado com nova defesa espectacular, para canto, transformado sem nenhuma novidade.

Mas esta sequência de defesas de ouro do kepeer ruandês podia ter sido “punida” no último lance do jogo, num contra-ataque em que a bola é endossada a Manuelito, do lado esquerdo, que bate toda a defensiva e, com o guarda-redes pela frente, prefere fazer um passe para alguns colegas que estavam perto da marca de grande penalidade – que acabaria sendo interceptado pela defensiva – quando o mais aconselhável era ele próprio rematar para a baliza semi-escancarada.

Foi um lance que revoltou todo o banco da Liga e os adeptos e porque já não havia tempo de sobra o árbitro encheu os pulmões e apitou para o final do jogo, ele que teve uma arbitragem praticamente sem mácula.

NADA ESTÁ PERDIDO

A sequência de lances mostrada atrás mostra claramente que se houve uma equipa que merecia ganhar o jogo de ontem essa equipa foi, claramente, a Liga, que em termos de oportunidades de golo esteve muito acima do adversário, que em todo o jogo deixou o guarda-redes Milagre praticamente como um mero espectador, intervindo em alguns lances sem perigo.

No rescaldo de toda a partida fica a ilação de um APR que entrou bastante bem, desenvolto, pressionando a Liga nos minutos inicias, uma pressão que duraria os primeiros 20 minutos, certamente a mando da equipa técnica com o intuito de marcar primeiro e provocar uma crise de raciocínio aos rapazes de Litos.

Entretanto, essa pressão foi sendo sacudida e depois dos 20 minutos a Liga assumiu o comando do jogo, embora haja a frisar que os ruandeses em nenhum momento se deixaram intimidar e procuraram fazer valer o tecnicismo da maior parte dos seus jogadores, porém sem argumentos de monta para chegarem com perigo no último terço do adversário.

E, como é comum em equipas africanas, assistimos a alguns episódios do vulgo “cai-cai”, sobretudo do seu guarda-redes, com a intenção única de queimar tempo e num desses casos o árbitro teve que admoestar o keeper com a cartolina amarela. Mesmo assim, o jogo teve que parar uma três vezes para assistência ao guarda-redes, alegadamente por ter sido tocado, o que, cremos, não passou de matreirice.

Depois deste empate, pode-se dizer que nada está perdido, pois apesar da diferença de ritmo competitivo a Liga mostrou que o facto de o APR estar na 15ª  jornada do campeonato ruandês até pode ter um peso significativo, sim senhor, mas nada que não possa ser contrariado na luta pela transição na eliminatória, cuja última batalha será travada no Amahoro Stadium
Kigali, com capacidade para 30.000 espectadores, daqui a 15 dias.

Não ganhámos

por culpa própria

- Haji, capitão da Liga Desportiva

No final da partida O meio-campista Momed Haji era um homem triste pelo empate que se verificou, num jogo em que a equipa moçambicana foi claramente superior ao adversário, apesar deste ter criado dificuldades aos campeões nacionais.

Defrontámos um adversário com muitos jogos nas pernas. Este foi o nosso segundo jogo oficial, mas mesmo assim, não ganhámos por culpa própria, pois criámos oportunidades para marcar. Vamos a segunda mão em desvantagem, mas tudo faremos para conseguir um resultado que nos confira a passagem à eliminatória seguinte, disse Haji.

Confiante no jogo

da segunda mão

- Dusan Duje Suljagic, treinador do APR

– A Liga era favorita neste jogo, por jogar em sua casa, mas nós conseguimos controlar o jogo e este empate serve os nossos interesses nesta eliminatória. Fizemos um bom jogo, dificultámos a acção do nosso adversário, que teve poucas possibilidades de fazer golo, exceptuando no lance quase no final do jogo. Agora, vamos jogar em casa. Estou confiante no jogo da segunda mão.

Árbitro não quis

assinalar penalty

- Litos, treinador da Liga

– Era de esperar que enfrentássemos muitas dificuldades por termos feito apenas um jogo antes desta partida, mas mesmo assim, fizemos um bom jogo. Criámos várias oportunidades para marcar. A arbitragem permitiu que o guarda-redes do Ruanda queimasse tempo, cortando o ritmo que estávamos a impor no jogo e já no final, o Zicco foi carregado na área, mas o árbitro não quis assinalar penalty.