Um fecho cheio de incertezas

Outro bocejante e aborrecido vazio de ociosidade separa o discurso político adoptado pela reunião ministerial realizada aqui em Brazzaville – na qual Moçambique se fez representar pela vice-ministra Ana Flávia Azinheira – e os momentos lúdicos de folgança e entretenimento que não chegaram a acontecer aqui em Brazzaville, transformando esta longa estadia num autêntico e indescritível tormento, a ponto de ter havido quem tivesse, na calada, arrepiado caminho pelo agora concorrido Aeroporto Maya-Maya, compreensivelmente desejoso de regressar a casa.

Enquanto os ministros se multiplicavam polidamene nos elogios a uma organização escassa e deficiente, a juventude africana clamava por momentos de convivência e intercâmbios ampliadores de culturas e lavoura das várias matizes que constituem esta imensidão de nacionalidades africanas, aqui em Brazaville sem espaço nem oportunidade para comutar as suas imensas diferenças, também muito por falta de um roteiro cultural que incluísse a visitação dos escondidos e escusos museus ou até, e porque não, da monumental estátua de Marien Ngoabi, um dos poucos símbolos do comunismo entre a azáfama e libertinagem da nova sociedade de consumo.

Mas voltando, dolorosamente, aos Jogos de Brazzaville: como se esperava, a questão do próximo país organizador não foi sequer resolvida, apesar dos alongados e multiplicados olhares dirigidos a uma África do Sul que, de forma frontal e directa, recusou hospedar a experiência de 1999, ano em que acolheu os VII Jogos Africanos de Joanesburgo, resultando dessa proximidade alguns outros olhares de esguelha para Moçambique, desta feita e ao contrário de 2011, declaradamente indisponível para acoitar a indisponibilidade dos outros.

Ainda na senda de numerar indisponibilidades, o ministro angolano dos Desportos, Gonçalves Muandumba, foi a primeiro a desobrigar-se de hospedar fosse o que fosse em 2019 com uma concludente e categórica declaração dirigida a jornalistas, incluso o do desafio: “Angola não é candidata, não se candidatou e nem está nos seus projectos candidatar-se”; sintomático até da discreta e moderada crise económica ainda em processo de gerência pelo governo de Futungo de Belas.

Assim, a esta indistinta questão do país organizador dos XII Jogos Africanos em 2019 juntam-se as incertezas de um fiável e reputado quadro geral de medalhas, uma vez que em momento algum deste Brazzaville-2015 o mesmo foi divulgado parcialmente ou dele se fez alarde, não obstante as insistentes e quase obstinadas súplicas dos jornalistas, que deixam a cidade capital do ex-coronel N´Guesso sem terem conhecido o Centro de Imprensa.

São apenas algumas das muitas dúvidas e incertezas de uns Jogos que deveriam estimular e incentivar o fim dos rancores marroquinos – a título de exemplo – as já actuais desinteligências que resultaram no golpe de Estado em Burquina Faso e que aqui, em Brazzaville, deixa inquieta e perturbada uma mão cheia de duas centenas de atletas burquinabes, acaso sem saberem se regressam ou se ficam.

Resta saber se no meio deste feixe de incertezas e imprecisões os congoleses terão sabido perceber que toda esta pirotecnia e alvoroço desencadeados – tal como a “Construção de um novo Congo”, apregoada de forma denunciada pela CTV, a televisão estatal – se integram justamente num vasto e antecipado intento propagandístico do “Papa Denis Sassou N’Guesso” visando as eleições do próximo ano.

Porque, de resto, são as incertezas do costume. Apenas os crocodilos e os macacos que aqui se vendem pelas ruas de Brazzaville nos dão a convicção dos equívocos e desenganos de um país que precisa urgentemente de sair da imaginação do seu presidente!