Ex-pescador cabo-verdiano impressiona com 2,20 metros

entre todos com os seus 2,20 metros. Mais curioso ainda é que este jovem, que até 2009 não sabia que no mundo havia uma modalidade desportiva chamada basquetebol, era um simples pescador na Ilha do Maio.A história que este jovem cabo-verdiano está a escrever tem tudo para ser, num futuro imediato, fonte de inspiração para aqueles que mesmo tendo nascido em regiões remotas de qualquer parte do mundo, mas bastando ter as qualidades necessárias ou naturais para a prática de basquetebol, podem vir a tornar-se jogadores profissionais e ter a sua vida melhorada.

É isso o que até ao momento vai mostrando o percurso que está a ter Edy Walter.

De um miúdo ajudante de sua mãe numa família de pescadores, o gigante chamou a atenção de um turista alemão que, depois de uma breve conversa, tirou uma foto ao jovem e enviou para os técnicos da formação do CG Gran Canaria, da Espanha.

Impressionados com a sua envergadura, trataram da sua ida para as ilhas espanholas de modo a ser integrado nos escalões de formação do CB Gran Canaria para que aprendesse a jogar basquetebol. Em apenas três anos, deu um salto qualitativo e já joga na equipa principal da UB La Palma Isla Bonita, da Liga LEB Oro, o equivalente à segunda divisão da Espanha.

- Foi um turista alemão que estava de férias em Cabo Verde que me viu e perguntou se eu queria jogar basquetebol. Eu respondi-lhe que sim e me disse que devia esperar um bocado, porque ia falar com um amigo que era chefe de uma academia de basquetebol, na Espanha. Passado algum tempo, levaram-me para a Espanha, que é lá onde estou aaprender – contou Edy Walter, que se orgulha das suas origens.

- Eu sou da Ilha do Maio. Como toda a gente sabe, na Ilha do Maio as pessoas vivem graças à pesca, e eu sou de uma das várias famílias de pescadores que lá existem. O meu tio é pescador e eu ajudava-o e a minha mãe, para além de estudar– acrescentou a nova sensação do basquetebol cabo-verdiano.

- Pessoalmente ainda não havia começado a ir sozinho à pesca. Ajudava o meu tio de quando em vez, porque ele já era pescador há muitos anos. Mas ficava a ajudar a minha mãe a vender na pequena loja que tem lá na ilha– lembrou.

Instado a responder se sentia que na Espanha podia crescer a ponto de chegar a equipas tão competitivas da I Liga, tais são os casos do Real Madrid, Barcelona ou Málaga, Edy Walter diz que é preciso dar tempo ao tempo porque até 2009 mal sabia da existia do basquetebol.

- Há três ou quatro anos, eu nunca tinha ouvido falar de basquetebol na minha vida. É com muita sorte que eu estou aqui a jogar num Afrobasket– admite.

- O meu sonho é chegar ao mais longe possível. Se as portas se abrirem, será bom porque estou a trabalhar para tal– confessa.

Nos dois jogos que Cabo Verde ganhou na primeira fase, diante de Moçambique e da República Centro-Africana, a jovem torre da Ilha do Maio marcou 20 pontos e ganhou 12 ressaltos.

Frente aos moçambicanos marcou oito pontos e ganhou nove ressaltos, contra 12 pontos convertidos e três ressaltos ganhos diante dos centro-africanos.

 

Texto de Narciso Nhacila,

nosso enviado especial a Abidjan

Revisto: Mário