Líbios coroados campeões africanos

Na final da competição destinada a jogadores que apenas actuam nas ligas do continente africano, na Cidade do Cabo, a Líbia levou a melhor na "lotaria" de grandes penalidades, com Ahmed El Trbi a marcar o castigo máximo decisivo, antes de o ganês Tijani desperdiçar a última grande penalidade e falhar o empate.
Além de receberem a taça e medalhas pelo título, os Cavaleiros do Mediterrâneo, designação oficial da selecção da Líbia, embolsaram igualmente 750 mil dólares pelo título, enquanto as Estrelas Negras, como segundo classificados, receberam 400 mil.

A Líbia sucede Tunísia, que conquistou a segunda edição em 2011 do CHAN. A República Democrática do Congo venceu a edição inaugural do CHAN em 2009. A edição 2016 vai a Ruanda.

Líbia: um campeão que só venceu um dos seis jogos feitos 

A final foi o terceiro jogo consecutivo que a Líbia venceu no desempate através de grandes penalidades, depois de eliminar o Gabão e o Zimbabwe, da mesma forma, nos quartos de final e nas semi-finais, respectivamente. É por isso que não deixou de ser curioso o facto de o campeão consagrado no sábado ter conquistado a prova depois de ter conseguido apenas uma vitória (2-0 a Etiópia) nos seis jogos disputados desde a fase de grupo, tendo bastando-lhe os empates nos compromissos seguintes para caminhar até ao encontro decisivo.

Tanto nos quartos-de-final, assim como nas meias-finais, bem como na própria final os líbios só conseguiram triunfar no desempate através de grandes penalidades. Nos quartos derrotaram Gabão (5-3), nas meias-finais o Zimbabwe (5-4) e na final de sábado, o Gana (4-3).

Já na fase de grupos os líbios só haviam vencido (2-0) a Etiópia e empatado diante do Gana (1-1) e com Congo (2-2). Com estes desfechos, a equipa seguiu para os quartos-de-final em segundo lugar atrás de Gana, com cinco pontos.

Foi o experiente técnico espanhol Javier Clemente, que garantiu os festejos líbios com uma felicidade tremenda nos desempates por castigos máximos, com o guarda-redes líbio a assumir-se como um dos heróis.

A Líbia relegou para o segundo lugar a selecção do Gana, enquanto o terceiro posto da competição foi arrebatado pela Nigéria, que também hoje venceu o Zimbabué, por 1-0, com um golo de Obiozor.

Este é um triunfo para o seu treinador espanhol Javier Clemente, que está apenas no trabalho em questão de meses, pois assinou o contrato em Outubro e em menos de seis meses conquista uma competição continental.

 

Vingança 32 anos depois

Após uma final que não foi tão espectacular como se cogitou – as equipas se conheciam da fase de grupos em que empataram a um golo – a Líbia foi mais feliz vencendo por 4-3, a favorita Gana, no desempate através de grandes penalidades depois de 120 minutos sem golo. Assim, a Líbia vingou-se depois de perder (7-6 nas grandes penalidades) para Gana há 32 anos na final do CAN numa final antecedida por um minuto de silêncio para o ex-técnico da selecção espanhola, Luis Aragonés, que morreu neste sábado aos 75 anos.

A partida, que foi disputada diante de uma multidão, que incluía o presidente da CAF, Issa Hayatou e seu convidado o presidente da Fifa, Sepp Blatter, acabou sendo um tanto ou quanto morna e terminou em um empate sem golos, com todo o drama reservado para o desempate através das grandes penalidades, em que os líbios começaram bem, pois a equipa do Gana falhou os seus dois primeiros remates, proporcionando duas grandes defesas ao guarda-redes da Líbia, Nashnush.

No entanto, depois o guarda-redes ganês Stephen Adams defendeu duas grandes penalidades de Mohamed Elgadi e Abdelsalam Omar garantindo um empate a 3 no final da primeira fase. Foi-se à morte súbita e Ahmed El Trbi converteu a grande penalidade para a Líbia antes de Joshua Tijani perder o para o Gana para as celebrações dos Cavaleiros do Mediterrâneo da Líbia, que ironicamente, foram os anfitriões originais desta competição antes da guerra civil naquele país ter forçado a mudança para a África do Sul.

O jogo havia iniciado com pouca forma de acção junto às balizas, com as equipes efectivamente a jogar ao meio campo e neutralizando as tentativas de ataque mutuamente.

Mesmo assim, a selecção do Gana teve a vantagem em termos de ritmo e capacidade atlética, mas no entanto a Líbia mostrou-se mais bem organizada e parecia perigosa em lances de contra-ataque.

Na segunda parte continuou-se a assistir a um encontro sem muitas situações de golo e não terá surpreendido que a decisão final tenha sido através do desempate na marcação de grandes penalidades.

 

FICHA DO JOGO:

Líbia, 0 (4) -GANA, 0 (3)

Líbia, 0 (4):Mohamed Nashnush, Ahmed Almaghasi, Ali Salama, Ahmed Alwani, Ahmed El Trbi, Almoatasembellah Mohamed, Elmehdi El Houni, Faisal Ali, Mohamed Elgadi, Elmutasem Abushnaf (Muataz Fadel 116 '), Mohamed Ghanudi (Abdelsalam Omar 64')

Gana, 0 (3):Stephen Adams, Godofredo Saka, Nuru Sulley, Abeiku Ainooson, Tijani Josué, Anobaah Theophilus (Abdul Mohammed 99 '), Aseidu Attorbrah, Jordan Opoku (Jackson Owusu 119'), Michael Akuffo, Siedu Bansey, Sulley Maomé (Mohammed Yahaya 63 ').