Confirmou-se a tendência das reviravoltas

Ontem, frente a Mali até esteve a empatar até início do período adicional concedido pelo árbitro, mas João Mazive, que surgiu a titular no lugar que antes foi ocupado por Monis, provocou uma grande penalidade quanto a nós desnecessária porque o atacante maliano não estava em posição. Dessa situação surgiu o segundo golo dos malianos que souberam sofrer perante um Moçambique que parecia determinado a sair de Cape Town com pelo menos um ponto.

Com a exclusão de Miro por ter visto dois cartões amarelo João Chissano promoveu a estreia de Dito no onze nacional e João Mazive, que entrará na quarta-feira no lugar de Monis, manteve-se na equipa nacional.

Com o apuramento aos quartos-de-final fora do horizonte o que se pedia aos Mambas é que conseguissem um bom resultado, mas a forma como abordou o jogo nos momentos iniciais pareceu-nos mais pressionado ou ansioso do que se poderia esperar o que só facilitava a vida a um Mali tranquilo que buscava calmamente o golo.

E foi sem surpresa que se viu o Mali a assumir o domínio territorial e a posse de bola nos momentos iniciais, beneficiando inclusive das primeiras oportunidades de golo. Mas sem conseguir acertar no toque final diante de uma selecção de Moçambique bastante intranquila na defensiva.

Só nos primeiros 10 minutos o Mali esteve por três vezes próximo do golo, mas os seus remates eram desenquadrados, sendo o mais flagrante o de Hamidou Sinayoko, que, depois de ter evitado Dário Khan, rematou forte, mas com o esférico a passar por cima d baliza de Soarito. Mas antes disso foi o pé direito de Chico que desviou a bola das redes quando Soarito estava praticamente batido. Era o período menos conseguido da selecção nacional que tremia por tudo e por nada. 

Entretanto, depois de um quarto de hora de um domínio claro do Mali, a selecção nacional de Moçambique começou a ter alguns minutos agradáveis aparentando um colectivo interessado de facto em sair do CHAN com pelo menos uma vitória. E assim começava-se a assistir a um aparente equilíbrio.

Sem conseguir construir uma jogada bem organizada para tentar o golo, Moçambique procurou arriscar remates de fora de área com Dário Khan e Mário a rematarem, mas a bola saiu, em ambas ocasiões, longe da baliza. Ainda que não tenha sido com intensidade Mário fez o primeiro remate à baliza aos 35 minutos sem dificuldades para Soumalia Diakite.

Moçambique já estava a consegui efectivamente equilibrar a partida e a tranquilidade começava a ser patente e o Mali sentia as dificuldades.

E foi nesse momento em que o Mali se resguardava mais e sentia beliscado que Moçambique chegou ao golo num lance em que começa com um passe bem feito de Diogo paraJosimar, que rematou forte com a bola a bater na trave antes de terminar no fundo da baliza de Soumalia Diakite. Decorriam 38 minutos e tal como noutros jogos Moçambique entrava a vencer, mas ao contrário doutros não marcou nos primeiros 15 minutos. E o mais importante ainda é que conseguiu conservar a vantagem até ao intervalo o que não aconteceu nos primeiros dois encontros.

Mazive vende projecto

ao “apagar das luzes”

Na etapa complementar o cariz do jogo pouco se alterou e o Mali iniciou  como o fez na primeira parte, sendo que a diferença reside no facto de desta vez ter chegado ao golo ( o de empate) aos 47 minutos por intermédio de Iboourahona Sibide, que ganhou esférico evitou os centrais moçambicanos para depois atirar com o pé esquerdo para a igualdade.

A partir daqui, face ao empate, os malianos revelaram alguma superioridade à busca do segundo que só não surgiu aos 51 porque Soarito esticou-se para desviar para canto um remate de fora da área.

Apesar do domínio territorial que o Mali estava a ter Moçambique ia aguentando como podia, mas com imensas dificuldades em criar ocasião de finalização.

Com dificuldades de construir jogadas bem estruturada, Moçambique só conseguiu criar o primeiro grande perigo na segunda parte aos 62 minutos em lance de bola parada em que Diogo rematou forte, mas a bola passou ao lado da baliza de Soumaila Diakite.

Apesar de ter continuado a atacar ficava claro que o Mali, sabendo do resultado doutro jogo, preocupava-se menos do que fazia quando estava a perder. Enquanto isso Moçambique já mostrava claramente a intenção de assegurar o empate, sendo prova a entrada de Alvarito no lugar de Mário. 

Entretanto, essa intenção foi beliscada por brincadeiras de João Mazize que estranhamente agarrou um atacante contrário numa jogada em que não necessitava. O árbitro, que estava perto, assinalou uma grande penalidade convertida por Traore aos aos 90 (+2).

Depois do golo praticamente seguiu o apito final do árbitro da partida e a confirmação da tendência de Moçambique neste CHAN que é de marcar primeiro, mas depois sofrer. Mali garantiu a qualificação enquanto os Mambas regressam a casa sem ter ganho nenhum ponto. Na próxima fase o Mali defrontará o segundo classificado do grupo "B". 

Ficha técnica

Athlone Stadium, em Cape Town

Assistência:cerca de 1000 espectadores

Temperatura: 23 graus

Árbitro: Mutaz Abdelbasit Khairalla (Sudão), auxiliado por Mark Ssonko (Uganda) e Olivier Safari Kabene (RD Congo). Quarto árbitro: Bernard Camille (Seychelles).

Acção disciplinar: cartão amarelo para Dito.

Golos: Josimar, para Moçambique, Ibourahina Sibide e Idrisse Traore (grande penalidade) para o Mali.

Moçambique, 1

Soarito

João Mazive

Chico II

Dário Khan

Dito

Manuelito (56´)  

Kito

Diogo  

Josimar

Maninho

Mário

Treinador: João Chissano

Suplentes utilizados

Imo (56´)

Suplentes não utilizados

Pinto

Sonito

Gabito

Belito

Chico I

Nelito

Monis

Lanito

Victor

Mali, 2

Soumaila Diakite

Souleymane Konate

Yaya Samake

Ousmane Kreita

Ibourahina Sidibe

Abdoulaye Sissoko

Cheick Doumbia

Adama Traore (72´)

Hamidou Sinayoko (58´)

Oumar Kone

Issaka Samake

Treinador: Djibril Drame

Suplentes não utilizados

Idrissa Traore (58´´)

Mamadou Sibide (72)

Suplentes não utilizados

Cheik Bathly

Bourama Coulibaly

Mahamadou Traore

Lassana Diarra

Hamidou Traore

Lamine Diawara

Lassina Diarra

Idrissa Sangare

Morimakan Koita

Germain Berthe

OK: Djibril Drame.A qualificação para os quartos-de-final exigia da sua equipa maior pressão e esta conseguiu ainda que não tenha sido bastante eficaz merece o OK porque cumpriu com  o que se pedia, a passagem para a segunda fase. Não chegou a desistir de lutar pela vitória através das alterações operadas.  

KO: João Chissano. Sem nada a perder era suposto que a sua equipa fosse o mais ofensivo possível, mas permitiu que os malianos assumissem o controlo do jogo. Quanto a nós tinha obrigação de atacar mais do que o fez durante o jogo. Pior foi ter trocado Mário por Alvarito, que é mais defensivo. Deverá procurar saber o que acontece com a equipa depois de marcar.

CABINAS

Espero que meus jogadores

tenham apreendido muito

- João Chissano, treinador de Moçambique

  - Começámos pressionados mas conseguimos o golo saindo para o intervalo a vencer. Estranhamente na segunda parte sofremos um golo no primeiro minuto. Os jogadores jogavam muito bem perante uma equipa muito forte. Espero que os meus jogadores tenham saído com alguma lição estudada e tenham apreendido muito.

Soubemos reagir

Djibril Drame, treinador do Mali

- Foi um jogo importantíssimo e bastante difícil para nós. Acabamos bem o jogo depois de sofrer. Defrontámos um adversário que foi forte e que sempre atacou. Felicitar os meus jogadores pela campanha que estão fazendo. Este grupo foi muito forte mas estivemos sempre bem e hoje soubemos reagir à altura e nunca desistimos.

Árbitro à altura

O árbitro esteve à altura da partida, mas no início desta anulou um golo claro do Mali não se sabendo o que alegou. Mas do resto portou-se a contento deixando os jogadores jogar e não usou os cartões como forma de ganhar o controlo da partida. Esteve bem.Texto de Atanásio Zandamela, nosso enviado especial a Cape Town

Fotos de Sérgio Costa