Bastante assustados e sem objectividade

O facto de ter se assumido este como sendo um jogo para evitar sofrer muito fez com que a equipa se preocupasse pouco em atacar e entregar-se à luta de peito aberto. Isso só beneficiou o adversário que passou a ter o controlo da partida deixando os moçambicanos na condição de sempre ou quase sempre procurar a bola em posse dos sul-africanos e com tanta pressão acabaria por errar, ou se preferirem ceder.

Em termos sectoriais a defesa e o meio campo foram os sectores menos eficazes duma selecção que na sua primeira aparição num CHAN teve a felicidade de marcar primeiro, mas denotou fragilidades para defender.

Vejamos como individualmente actuaram os 14 homens utilizados por João Chissano na estreia do CAN Interno.

Soarito: Ainda que tenha nos parecido mal batido no lance do segundo golo dos sul-africanos o guarda-redes nacional foi das unidades mais concentradas da parte moçambicana com defesas espectaculares. Esteve em grande plano com intervenções de grande qualidade.

Monis. A camisola duma selecção tem o seu peso e Monis acabou sentindo. Chamado em detrimento de João Mazive o jovem não conseguiu mostrar a tranquilidade que o caracteriza no Moçambola. Permitiu que do seu lado os sul-africanos conseguissem fazer as melhores incursões ofensivas. Precisa de tranquilidade, pois talento está lá.

Chico II: Nalgum momento mostrou concentração máxima na protecção da sua área de acção, mas nem sempre conseguiu com a eficácia que se pretendia. Raramente vacilou nas suas missões apesar de tanto trabalho que teve para parar Bernard Parker.

Dário Khan: Pareceu-nos ter sido a unidade mais lúcida e segura na defensiva moçambicana. Procurou ser o capitão que a equipa precisava e acertou mais do que errou. Num jogo em que o sector defensivo foi chamado a intervir mais face ao jogo defensivo de Moçambique Dário tentou fechar as brechas deixadas pelos seus colegas sempre que possível.

Miro:A sua actuação acaba estando relacionada com o golo do empate, pois foi quem tocou, ainda que ao de leve, em Sibusiso Vilakazi para a grande penalidade. Mas não demorou recuperar a tranquilidade se bem que não vimos o Miro das incursões atacantes e remates a queima roupa. Apareceu menos na partida do que o habitual.  

Intermediária

Alvarito: Não foi o trinco que se pedia. Pareceu-nos algo nervoso, sobretudo no início da partida. Não conseguiu ser o pensador e municiador que se precisava nem o garante como primeiro defesa e responsável pelas transações defesa-ataque. Com Moçambique mais defensivo a equipa precisava mais de Alvarito. Cedeu lugar a Manuelito aos 78 quando a equipa necessitava de ser mais ofensiva.

Kito:A sua polivalência foi visível quando fosse necessário, mas a velocidade (ritmo) não estava lá. Esteve igual a si mesmo e aos 75 minutos ainda teve um lance de alguma magia, mas o remate acabou saindo para a defesa do guarda-redes sul-africano. 

Diogo: A sua grande aparição no jogo foi exacatemente com o golo, que surgiu acompanhado de uma pontinha de sorte. Ainda tentou trabalhar dando seu litro indo buscar a bola quando fosse necessário e rematar de longe já que a equipa não atacava com algum princípio.  

Josemar:Da forma como iniciou o jogo não permitiu que a sua criatividade fosse visível. Mostrou que apesar dos treinos ainda não tem ritmo e sem a sua criatividade a equipa não se encontra e o ataque não é alimentado como deve ser. Tentou alguns dribles mas não passou de simples intenção.

ATAQUE

Lanito:Para quem esteve a estrear até esteve num plano aceitável e nem podia fazer muito em função do modelo do jogo adoptado pela equipa técnica. Acabou sendo substituído por Mário numa altura em que se exigia outro ritmo. Pode dar mais à equipa.

Sonito: foi praticamente uma surpresa no onze já que se dizia lesionado. Aguentou os 90 minutos ainda que tenha aparecido pouco no jogo. Foi o responsável pelo passe para Diogo marcar. Do resto ficou claro que ainda não estava no ritmo. Até chegou-se a dizer que só jogou porque interessava a sua exposição já que está a tentar sorte na África do Sul.

Suplentes utilizados

Mário. Entrou aos 64 minutos altura em que mais se precisava de input. O tempo em que esteve no campo e em função do resultado quase não podia fazer mais nada.

Manuelito:Talvez deveria ter entrado mais cedo, mas só entrou a 12 minutos do final e logo à entrada Moçambique sofreu o terceiro. Não deram para quase nada.

Maninho:Chamado para o lugar do lesionado Diogo nem sequer conseguiu transpirar. 

Estatística

África do Sul       Moçambique

 

Posse de bola          58%            42%

Faltas                     14               12

Fora de jogo            2                 0

Cantos                    5                 1

Remates                23                 7       

Apreciação de Atanásio Zandamela, nosso enviado a Cape Town

Foto de Sérgio Costa