Sul-africanos nem precisaram ser briosos

A pressão de jogar com uma equipa que à partida escolheu Moçambique para abertura por considerar o elo mais fraco, aliado às diferenças de ritmo competitivo - o Moçambola terminou há dois meses e a PSL está no meio da caminhada - acabou tendo influência na actuação algo descolorida dos Mambas na sua estreia num CAN Interno.

E apesar de ter marcado primeiro - foi contra corrente do jogo - os Mambas nunca chegaram a impor se como uma equipa organizada capaz de manter as suas linhas juntas e de sair a jogar de pé para pé. Desde cedo denotou falta de intensidade ofensiva e sobretudo incapacidade de ligação de sectores (as transições que tanto foram ensaiadas) durante a partida o que só facilitava a vida ao adversários.

golo de diogo

disfarça início cinzento

João Chissano promoveu as estreias de Lanito e Monis numa partida em que montou um conjunto marcadamente defensivo próximo de 4X5X1 que na segunda parte mudou para o clássico 4X3X3 já para tentar aproveitar o facto de a África do Sul ter baixado de nível. Monis mereceu a confiança em detrimento de João Mazive para o corredor direito enquanto Miro mantinha-se intocável do lado esquerdo e os centrais eram Chico II e Dário Khan. Alvarito era o médio mais defensivo tendo nas suas laterais Diogo e Kito, com Josemar a frente. Lanito, que surpreendentemente surgiu de início, apoiava ainda que de longe Sonito, o homem mais adiantado.

A partida começou com um Moçambique a ceder a iniciativa do jogo aos anfitriões à espera de em contra-ataque pudesse criar alguns calafrios a defesa contrária e desta forma surpreender. 

A iniciativa do jogo estava entregue a África do Sul que em dois momentos esteve perto do golo, mas quem marcou primeiro foi Moçambique. É certo que ainda não havia feito nada que justificasse o golo, mas aos 10 minutos o meio campo ganha a bola através de Kito que passou para Sonito. O avançado, que estava em dúvida devido a uma lesão, evitou um contrário e fez um passe para Diogo que rematou com o esférico a bater num contrário (Mokeke) antes de trair o keeper contrário que escorregou antes de recolher a bola.

Depois do golo ficámos na expectativa de ver até que ponto o mesmo poderia tranquilizar a actuação até então menos vistosa de Moçambique ou como seria a reacção sul-africana. E viu-se um Moçambique mais recuado ainda e uns anfitriões a desfazerem-se do susto e a tentarem reassumir o controlo da partida tal como havia sido no início. Aproveitando o facto de Moçambique não ter alterado o ritmo de jogo (os seus jogadores caiam bastante e tremiam com frequência) os sul-africanos voltaram a criar situações de perigo. Sibusiso Vilakazi viu o seu cabeceamento a ser correspondido por uma brilhante defesa de Soarito para o desespero dos locais que buscavam desesperadamente o empate.

Apesar de a defensiva ter demonstrado muitas tremedeiras o meio campo ainda conseguia criar uma situação de alguma tranquilidade frustrado algumas incursões dos Bafana Bafana. Vendo o quão era difícil penetrar com muitos jogadores de Moçambique recuados os sul-africanos tentaram com remate a meia distância. O médio Lerato Chabangu tentou, mas o esférico saiu por cima e logo depois foi Katlego Mashego que de livre, castigado falta de Alvarito, levou a bola a tomar o mesmo destino.

Em jogo jogado era difícil furar a defensiva moçambicana, mas um lance de infelicidade Miro acabou tocando em Sibusiso Vilakazi Tshabala com o árbitro egípcio a considerar derrube e marcou grande penalidades superiormente convertida por Bernard Parker a repor a igualdade.

Depois deste golo a tranquilidade não voltou mais a reinar na defensiva moçambicana, com os sul-africanos a pressionarem claramente à busca do segundo golo. E Moçambique poderia até ter ido ao intervalo já a perder, mas Mashego acertou no poste num lance em que  Soarito mostrou grandes reflexos e salvou com seus pés uma situação provocado por uma intervenção não certeira de Monis. Depois  não se viu lances de grande realce até ao intervalo que chegava numa boa altura para Moçambique que precisava de repensar na abordagem que fizera no início.

golaço de Kekana

acaba com a resistência 

No reatamento nada foi diferente do que se viu no início da primeira, pois a África do Sul voltou a entrar mandona. O homem que maiores dores de cabeça deu a Chico II e Dário Khan, Parker, viu sua tentativa de bisar frustrada por um Soarito algo atento. Porém, o moçambicano já não conseguiu parar o remate de Hlompo Kekana, que surgiu duma jogada aparentemente inofensiva mas com remate de grande qualidade a cerca de 35 metros a terminar no fundo da baliza. Soarito nem viu a bola partir, daí que não tenha conseguido evitar o golo. E o estádio, que havia sido silenciado por Diogo, regozijava-se perante o magnifico golo, que surgiu numa altura em que Dário Khan mudava botas.

Depois do golo não restava outra saída para João Chissano que não fosse alterar a equipa e o sistema de jogo aproximando-se mais ao 4X3X3. Chamou Mário para o lugar de Lanito. Mas o máximo que se viu foram remates desenquadrados e um de Kito, mas sem grande intensidade, aos 75 minutos

Os Bafana, que pela primeira vez estavam em vantagem, não permitiram que os Mambas pudessem ter confiança e 81minutos Parker bisaram na partida garantido a primeira vitória dos anfitriões e a primeira derrota dos Mambas na sua estreia em três edições do CAN Interno.

Não era o que se desejava, mas a verdade é que justo pelo domínio que os Bafana Bafana tiveram durante os 90 minut

Ficha técnica

Cape Town Standium, na África do Sul

Assistência: cerca de 30 mil

Árbitro: Ghead Zaglot Grisha (Egipto), auxiliado por Aboubacar Doumbouya (Guiné) e Tahssen Abo Bedyer (Egipto).

Quarto árbitro: Mahamadou Keita (Mali)

Acção disciplinar: Amarelo para Miro.

Golos: Digo (10´), Bernar Parker (5) e Hlompho Kekana. 

África do Sul, 3

Itumeleng Khune

Buthebuyeza Mkwanazi

Thato Mokeke

Benett Nthethe

Mpho Chabangu (57)

 Bryce Moon

Siphiwe Tshabalala

Sibusiso Vilakazi (85)

Hlompho Kekana

Bernard Parker

Katlengo Mashego (73)

Treinador: Gordon Igesund

Suplentes utilizados

Lindokuhle Mbatha (57)

Asavela Mbekile (73)

Mathew Patission (85)

Suplentes não utilizados

Momeneeb Josephs

Tshepo Gumede

Tebogo Langerman

Vuyo Mere

Kwanda Mgonyama

Ryam Chapman

Tetu Mashamaite

Siyabonga Mpontshane

Edward Mnqele

Moçambique, 1

Soarito

Monis

Chico II

Dário Khan

Miro

Alvarito (78)

Kito

Diogo (91)

Josemar

Lanito (64´)

Sonito

Treinador: João Chissano

Suplentes utilizados

Mário (64´)

Manuelito (78)

Maninho (91)

Suplentes não utilizados

Pinto

João Mazive

Gabito

Belito

Chico I

Imo

Nelito

Victor

CABINAS

Não sei porque regaram

o campo à hora do jogo

- João Chissano, treinador de Moçambique

“Na primeira parte não jogamos o nosso futebol. Não sei porque regaram o campo nas vésperas do jogo. Isso tornou difícil a nossa missão e o nosso tipo de jogo. Com isso não quero me desculpar pela derrota e até dou parabéns a África do Sul. Era muito bom começar bem, mas não conseguimos. Ainda temos dois jogos pela frente devemos nos concentrar para estes. Não podíamos entrar em pé de igualdade porque os jogadores sul-africanos tem mais ritmo que nós e ficou evidente. Do lugar onde estava o penalti foi extramente duvidoso e acho que se não assinalasse ninguém ia reclamar.”

Penso que estivemos melhor

 e merecemos os três pontos

- Gordon Igesund, treinador da África do Sul

“O importante para nós era vencer este jogo como o fizemos. Não estou ainda feliz pela actuação. Penso que estivemos melhor e merecemos os três pontos porque criamos boas e inúmeras oportunidades de golo e os três conseguidos foram pelo esforço que empreendemos. Estávamos no controlo total do jogo, apesar de estado em desvantagem no início do jogo. Sobre os jogadores de Moçambique acho que optam mais pelos toques e não pela objetividade. Tem uma forma de jogar pouco objectiva.”

OK: Gordon Igesund

 “Colocou uma equipa mais ofensiva mostrando claramente a intenção de querer entrar a ganhar no CHAN e saiu-se bem pois os seus atletas conseguiram interpretar fielmente o que pretendia acabando por garantir uma estreia feliz. Apesar do susto com o golo de Diogo manteve o discernimento.”

 KO: João Chissano

 “João Chissano predispôs a equipa para um jogo que esperava que fosse marcadamente defensivo. Mas não bastou ter povoado o meio campo porque essa intenção não teve a correspondência por parte dos seus jogadores que acabaram não interpretado bem o que se pretendia, daí as fragilidades defensiva aliadas às tremedeiras dos homens confiados da equipa. Ter medo da África do Sul não ajudou a selecção.”

 arbitragem

Dúvidas no penalte

“O árbitro da partida apesar de haver ainda algumas dúvidas em relação a grande penalidade a castigar uma pretensa falta de Miro, esteve à altura da partida e não será por aí que Moçambique pode se queixar. Uma arbitragem tranquila que optou pelo dialogo e não pelas cartolinas, daí que apenas o nosso segundo capitão é que viu a cartolina amarela.”

Um minuto de silêncio por Eusébio

Não foi a homenagem que tanto se pretendia porque Moçambique não venceu. Porém, conseguiu-se influenciar a Confederação Africana de Futebol (CAF) a conceder um minuto de silêncio em memória do King, Eusébio, nascido na Mafalala (Maputo) a 25 de Janeiro de 1942 e falecido em Lisboa a 5 de Janeiro de 2014.

Antes da partida foi observado um minuto de silêncio em memória de Eusébio e se espera que seja assim nas restantes duas, nomeadamente Nigeria (quarta-feira) e Mali (domingo).

Para além desta homenagem os jogadores nacionais, que estrearam um novo equipamento, vão usar, como o fizeram sábado, braçadeiras pretas durante os jogos que os Mambas ainda disputaram no CHAN.
A partida foi assistida pelo presidente sul-africano, Jacob Zuma, da presidente da CAF , Issa Hayatou , Ministro do Desportos e Recreação, Fikile Mbalula. De Moçambique estiveram na tribuna Carlos de Sousa, Vice-Ministro da Juventude e Desportos, Armando Iroga, Ministro da Indústria e Comércio, Amélia Cabral, Directora Nacional dos Desportos, Inácio Bernardo, director-geral do Fundo de Promoção Desportiva, Alberto Simango Jr, presidente da Liga Moçambicana de Futebol, assim como luso moçambicano Carlos Queiroz.

Texto de Atanásio Zandamela, nosso enviado a Cape Town

Fotos de Sérgio Costa