Cabo onde o futebol foi celebrando ao ritmo de jazz

Não se sabe se foi com intenções de relembrar que o evento terá lugar finais de Março ou simplesmente por ser o que de melhor representa a cidade que a Comissão Organizadora surpreendeu com uma abertura ao ritmo de jazz, que se juntou aos ritmos tradicionalmente africanos.

A festa de abertura contemplou danças tradicionais, mas foi acima de tudo abrilhantada pela actuação de alguns pelos-pesados ​​da música sul-africana, sobretudo os deste género (jazz), que deixou os presentes deslumbrados com a reverência de grandes expressões musicais artísticas através de proeminentes artistas já premiados, com Jimmy Ddludlu incluído.

A cumplicidade dos residentes do Cape Town com o jazz ficou evidente quando o maestro anunciou a que o CHAN Interno acontecia na cidade do jazz, pois esse anúncio foi seguido pela ovação e entrada de Jimmy  Dludlu, o nosso Jimmy, com guitarra para a exuberante actuação seguida por Mi Casa, que fechou a festa que teve ainda actuações marcantes de Zolani Mkiva e Jessica Mbangeni. Tudo feito ao pormenor para a vibração que se seguiu. E tudo terminou com o fogo de artifício antes da entrada em cena dos artistas (África do Sul e Moçambique) para o jogo de abertura do evento que decorre sob lema "Celebrando a África: um lugar onde se celebram Campeões."

Os presentes assistiram a um evento de certa forma eloquente, que correspondeu em certa medida ao espectáculo bastante aplaudido durante o CAN do ano passado, mas desta vez foi com as bancadas menos coloridas do que foi em Fevereiro. Entre os presentes destaca-se Jacob Zuma, presidente da África do Sul, da presidente da CAF, Issa Hayatou, Ministro do Desportos e Recreação, Fikile Mbalula. De Moçambique estiveram na tribuna Carlos de Sousa, Vice-Ministro da Juventude e Desportos, Armando Iroga, Ministro da Indústria e Comércio, Amélia Cabral, Directora Nacional dos Desportos, Inácio Bernardo, director-geral do Fundo de Promoção Desportiva, Alberto Simango Jr, presidente da Liga Moçambicana de Futebol.

UMA FESTA SEM

os finalistas passados

Nesta edição da prova, que se disputa até 1 de Fevereiro, salta à vista o facto de não contar com os actuais campeões e vice-campeões africanos desta competição, nomeadamente  Tunísia e Angola, que foram afastadas das eliminatórias para a fase final de grupos.  

Os nossos irmãos do Atlântico caíram, como se lembram, aos pés da Selecção Nacional de Moçambique na última eliminatória, enquanto a Tunísia foi afastada pela congénere do Marrocos, na penúltima eliminatória da compita.
Assim, a festa deste ano reúne em três cidades sul-africanas 16 selecções africanas agrupadas em quatro grupos. África do Sul, Moçambique, Mali e Nigéria integram o Grupo "A", com sede na cidade do Cabo (jogam no Cape Town Stadium), que hospeda também o grupo "B", composto pelo Zimbabwe, Uganda, Burkina Faso e Marrocos, estas últimas jogam as partidas no estádio Athlone.
As selecções do Grupo "C" – Gana, Líbia, Etiópia e Congo – disputam as partidas no estádio Free State, na cidade de Mangaung, em Bloemfontein. Já os encontros do grupo "D", de que fazem parte a RDC, Gabão, Burundi e Mauritânia, jogam-se no New Peter Mokaba.

CHAN Interno passa

a contar para ranking

A qualificação para a segunda fase do Campeonato Africano das Nações reservado aos atletas que jogam internamente mais do que um simples acto histórico leva consigo uma grande importância uma vez que a partir desta edição a Federação Internacional de Futebol (FIFA) passa a considerar esta como uma prova que tem sua importância para o ranking.

Isso faz com que as equipas, na sua maioria, tenham mudado de abordagem em relação ao CAN Interno, que era visto apenas como mais uma prova. Assim, todas as selecções procuram aproveitar a oportunidade para puderem ganhar mais pontos para reforçarem as suas posições no ranking mundial porque isso garante algum privilégio/vantagem na constituição dos grupos para o próximo Campeonato Africano das Nações a ser disputado em 2015 em Marrocos.

É que há dias a FIFA reconheceu que a partir da edição, que decorre em três cidades sul-africanas até dia 1 de Fevereiro, os jogos disputados no torneio receberiam o estatuto de "A".
Anteriormente os jogos do CHAN eram vistos apena como amistosos em que a FIFA só atribuía por vitória apenas um ponto ao contrário do que faz exemplo numa competição de nível do CAN.

A partir de agora uma vitória vale três pontos o que significa que a equipa que nesta prova somar pelo menos duas vitórias seriam seis pontos que fariam grande diferença a pensar nas eliminatórias para o CAN de 2015.

A decisão da FIFA, que é aplaudida por muitos, é o reconhecimento de que se pode valorizar os atletas que jogam nas principais Ligas Africanas que geralmente não têm tido espaço quando a prova conta com atletas que evoluem pela Europa fora.

Os sul-africanos já pensam em vencer a prova para poderem entrar no Top 50 da FIFA, saindo da actual 62 a posição.

Jogo que nos interessa

Mali suplanta Super Águias

A Selecção Nacional da Nigéria, adversária dos Mambas, esta quarta-feira também começou a sua campanha no CHAN com uma vitória (2-1) diante da sua congénere do Mali na partida disputada na noite de sábado no Cape Town Stadium.

A partida começou sem grande ritmo e sem oportunidades claras de golo nos primeiros 15 minutos. Mas aos poucos Mali foi assumindo a liderança do jogo através de remate desviado de Abdoulaye Sissoko aos 18 minutos .
Estava tudo indo muito bem para o Mali e aos 21 minutos Chigozie Agim teve uma actuação brilhante negando um golo a Sissoko. Logo a seguir foi Lassana Diarra que também testou Agbim, com o guarda-redes das Super Águias a mostrar-se à altura.

II PARTE

Cinco minutos depois do reatamento (50 minutos) Adama Traore marcou o segundo do Mali numa jogada iniciada por Ousmane Keita.

Diarra também tentou a sorte mas viu Ogonna Uzochukwu a limpar para fora numa altura em que o guarda-redes nigeriano já estava batido.
Entretanto, a Nigéria marcou na primeira oportunidade clara no minuto 55 através de um cabeceamento do recém entrado Fuad Salami. O defensor subiu no terreno e marcou de cabeça após um livre.

Depois Diarra teve uma oportunidade de aumentar a vantagem do Mali no minuto 83 , mas o atacante não conseguiu fazer melhor com a bola após cruzamento de Issaka Samake .
Ifeanyi Ede ainda tentou o golo do empate, mas sem sucesso. O jogo terminou com o desperdício de Souleymane Konate.
EIS AS EQUIPAS:

Mali - 2: Souleymane Konaté, Ibourahima Sidibe, Ousmane Keita, Mahamadou Traore, Abdoulaye Sissoko, Cheick Doumbia, Lassana Diarra, Adama Traore, Issaka Samake, Soumalia Diakite e Yaya Samake.
Nigéria - 1: Chigoze Agbim, Salomão Kwambe, Benjamin Francis, Uzochukwu Ugonna, Odunlami Kunle, Egwuekwe Azubuike, Ejike Uzoenyi, Ali Rabiu Ibrahim Abubakar, Hillary e Ede Ifeanyi

Poucos moçambicanos nas bancadas

Como tem acontecido quando a selecção joga fora alguns moçambicanos deslocaram-se à cidade de Cabo para acompanhar a equipa de todos nós e porque não juntar o útil ao agradável que é o turismo de Cape Town.

No início os nossos compatriotas puxaram pela selecção fazendo um barulho à dimensão do seu número (eram cerca de 50). Alguns o fizeram apenas para a partida de abertura, tendo regressado ao país na manhã de ontem. Outros são residentes desta cidade e outros ainda aproveitaram o facto de o CHAN ter coincido com as suas férias.

Ainda acredito na equipa

- Nelson Capote, adepto dos Mambas

Nelson Capote é um dos adeptos que está em Cape Town aproveitando as férias mas com intenção de apoiar a selecção. No final da partida de estreia fez o seu comentário.

- Estou aproveitar as minhas férias para ver e apoiar a selecção de Moçambique. Acho que a equipa esteve bem na primeira parte, mas encolheu bastante na segunda. Por outro lado, não entendo porque João Chissano não substituiu Sonito que na minha opinião não estava ajudar a equipa – lamenta.

Para passar a fase de grupo o adepto diz ser necessário que se encarre a Nigéria com maior responsabilidade.

- Agora será difícil porque a Nigéria depois de perder com Mali não vai querer perder mais pontos e a África do Sul como organizador vai lutar pela continuar em prova tal como Mali que pareceu-me ter uma boa equipa – observa.

Mesmo com a derrota diz não estar arrependido com o investimento feito.

- Se as pessoas acompanhassem as selecções só quando ganham acho que já muitas equipas já não teriam companhia - disse a terminar Capote.

SOLTAS & SOLTAS

Diogo lesionado…

- Diogo, o autor do primeiro golo da terceira edição do CHAN saiu da partida lesionado, mas nada que põe em causa a sua utilização na partida de quarta-feira a noite (20.00horas) frente a Nigéria.

- Muitos cidadãos de Cape Town (Cabo) não sabiam da realização na sua cidade da terceira edição do CAN Interno. Na rua não foram poucos que se dirigiram a nós com alguma curiosidade por verem selecções de diferentes países e gente credenciada. Isso terá contribuído para que na jornada inaugural o Cape Town Stadium, que tem capacidade para mais de 64 mil pessoas tivesse cerca da metade logo numa partida que envolvida a equipa da casa.

- Os sul-africanos não facilitam em termos de segurança. As equipas estão sendo acompanhadas nas suas deslocações por uma coluna de no mínimo seis carros da polícia. Neste aspecto estão de parabéns.

Texto de Atanásio Zandamela, nosso enviado a Cape Town

Fotos de Sérgio Costa