Confiança não falta ao grupo

Sabe que os resultados frentes aos três (África do Sul, Nigéria e Mali) conjuntos que juntamente com Moçambique compõem o grupo não nos têm sido favoráveis, e que o nível dos seus campeonatos não é próximo do nosso, mas nada que tire tranquilidade a João Chissano. O técnico é por estas alturas um homem de fé, que acredita nos seus jogadores e pensa que com trabalho a pontinha de sorte pode acompanhar nos Mambas a começar já na noite do dia 11 de Janeiro frente ao anfitrião, África do Sul, no Cape Town Stadium.

Na manhã de sábado passado, a nossa Reportagem esteve no campo da Machava, que foi usado pelo Matchedje este ano, e viu um grupo bastante animado e uma equipa técnica interventiva no trabalho a procurar ensaiar o modelo do jogo que será usado sobretudo no jogo de estreia no CHAN.

Em conversa com o desafio, o seleccionador nacional, João Chissano, voltou a sublinhar que reconhece as dificuldades que a Selecção Nacional de Moçambique irá enfrentar, mas considera que todos estão cientes disso e que não se vai a África do Sul para facilitar as coisas a ninguém.

Para este é possível sonhar-se com uma boa prestação dos Mambas, porém aponta o ritmo competitivo entre as quatro selecções como sendo o principal handicup que determinará o apuramento aos quartos-de-final.

40 dias de preparo

APENAS Três jogos

Já foram cerca de 40 dias de preparação e três jogos de controlo. Na essência João Chissano afirma que esse período esteve essencialmente para a componente física de modo que os jogadores mantivessem, no mínimo, a condição física que traziam do Moçambola.  

- O que posso dizer em forma de avaliação é que do ponto de vista físico julgo que estamos a conseguir dar continuidade do que eles traziam do Moçambola, mas trabalhamos a parte física não tanto que físico mas o ensaio da forma como queremos jogar, ou seja a nossa filosofia do jogo.

Entretanto, Chissano reconhece que fazer três jogos em 40 dias de preparação é pouco, sobretudo por se saber que durante oito dias fará três jogos.

- Neste momento se perguntasse o que me falta diria mais jogos. Diria isso porque, como deve imaginar, fazer apenas três jogos em 40 dias é muito pouco para uma selecção, uma vez que esta (selecção) é composta por jogadores que vem de clubes diferentes, cabendo a nós criar um conjunto forte que terá que realizar três jogos em oito jogos. Isso não será fácil tendo em conta que os jogadores pararam praticamente dois meses.

Apesar desse constrangimento João Chissano garante que se trabalha a todo gás para colmatar esse défice competitivo.

- Estamos a fazer de tudo para que os jogadores estejam ao melhor nível no CHAN, principalmente na estreia.Temos que criar um grupo forte e com uma grande dinâmica. Estamos a criar comportamentos em várias situações de jogo tanto individual assim como colectivo, principalmente estes por ser uma modalidade colectiva.

O técnico diz ser intenção da equipa técnica aperfeiçoar o que se pretende dos jogadores em cada momento do jogo.

- A equipa tem que estar preparada de modo a dar uma resposta eficaz a qualquer eventualidade. Estarmos a trabalhar com vista a aprimorar todas componentes necessárias no futebol, quer a parte física, técnica e psicológica. Pensamos procurar elevar os índices motivacionais dos atletas. E posso dizer que a resposta tem sido positiva. Posso dizer que estamos felizes e confiantes porque o grupo é muito forte e dedicado.

É fundamental estar

bem no primeiro jogo 

João Chissano reitera a importância do jogo de estreia não pelo resultado, mas principalmente pela abordagem que fará diante da equipa anfitriã, que neste momento está sendo estudada pela equipa técnica nacional.

- O que posso dizer é que estamos a estudar ao pormenor o primeiro adversário (África do Sul), porque, como já havia dito noutras ocasiões, este não sendo o jogo decisivo é fundamental porque determinará o nosso comportamento para os restantes dois jogos.

Entretanto, continua acreditando que a África do Sul está mais pressionada que Moçambique.

- A África do Sul não ganha uma prova continental há 10 anos e não está no Top-10 da CAF apesar de todas condições que tem. Isso irá fazer com que a pressão seja maior, sobretudo por estar a jogar em casa. Acredito que estará preocupado em arrumar a situação de qualificação o mais cedo possível, daí que temos que estar concentrados para realizarmos um bom jogo. Nós, garanto, não iremos facilitar a vida a ninguém. 

Em relação aos outros adversários o seleccionador nacional disse na essência que estes tem campeonatos melhores que o nosso, mas terão que provar seu favoritismo em campo.

- A Nigéria e o Mali sabemos que têm campeonatos mais fortes que o nosso, mas sobre eles pensaremos melhor depois do nosso jogo de estreia. Neste momento só posso dizer que são países que exportam mais jogadores para Europa e os seus campeonatos têm muitos jogadores estrangeiros o que de certa forma ajuda a melhorar a qualidade do seu campeonato que por via disso torna-se competitivo. Todos adversários são teoricamente fortes em relação a nós, mas nem sempre isso é tudo. Vamos ao CHAN para realizar jogo a jogo e motivados.

A 11 dias da estreia no CHAN, a preocupação de João Chissano prende-se com a falta de ritmo para enfrentar estes três colossos.

 - A preocupação neste momento é com o ritmo de jogo. Veja que na África do Sul até estão a fazer três jogos por semana e em princípio de Janeiro os jogadores estarão na sua melhor forma física e teremos que arranjar estratégica para que isso não nos sejam prejudicial. Temos fé e confiamos na equipa de trabalho.

ensaio com Líbia dia 7

É para colmatar o problema de falta de ritmo que a Seleção Nacional de Moçambique parte hoje para a África do Sul. Na terra do rand tem assegurado um jogo amistoso frente a Líbia, no dia 7 de Janeiro, em Joanesburgo, mas antes (final de semana) pode haver outro caso se confirmem as negociações em curso com algumas das selecções que se era esperada naquela cidade.

Lembre-se que aquando do sorteio João Chissano não acolheu com muito agrado o facto de o grupo estar sediado em Cape Town, uma cidade que considera não ser muito favorável para a prática de bom futebol, daí que acredita que esta ida com alguma antecedência possa ajudar a ambientar à temperatura.

Durante os cerca de 40 dias de preparação a Selecção Nacional de Moçambique efectuou três jogos:não tendo ganho nenhum, empatou dois empates com a Namíbia, fora, (0-0) e Suazilândia, em casa, (1-1) e uma derrota com o Zimbabwe (2-1) em Bulawayo.

Os excluídos

são conhecidos hoje

Dos 23que representarão o país no CAN Interno 20 são jogadores de campo e três guarda-redes, daí que as únicas certezas de momento relacionam-se com os keepers, estando claro que Victor, Soarito e Pinto estarão na África do Sul e um deles será o responsável pela baliza.

Quanto aos 20 atletas torna-se difícil ter se ideia dos que serão preteridos por João Chissano após o último treino da selecção no solo pátrio, que está previsto para hoje.

Após o treino de hoje os 23 escolhidos serão dispensados por dois dias para passarem as festas com as respectivas famílias, devendo concentrar-se esta quinta-feira de manhã para no início da tarde seguirem viagem a Joanesburgo.

Eis os 27 dos quais sairão 23:

Liga Muçulmana: Miro, Josemar, Imo, Sonito e Chico II.

Ferroviário da Beira: Reinildo, Maninho, Mário, Nelito e Moniz.

Costa do Sol: Dário Khan, João Mazive, Manuelito II, Dito e Alvarito.

Ferroviário de Maputo: Diogo, Pinto, Chico e Barrigana.

Maxaquene: Kito, Gabito e Isac.

Desportivo de Nacala: Daudo e Víctor.

HCB: Soarito.

Ferroviário de Nampula: Belito.

Desportivo: Lanito.

JOHANE ASSEGURA logística  

Mambas em JHB

a partir desta quinta-feira

O secretário-geral da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Filipe Johane, considera que foram criadas as condições possíveis para uma boa prestação dos Mambas no CHAN. Para já garante que esta quinta-feira a selecção desloca-se a Joanesburgo para a última etapa da preparação.

Johane disse que até a estreia da selecção no dia 11 o combinado nacional terá realizado no mínimo cinco jogos dos seis que a FMF foi solicitada.

- Posso dizer que o cumprimento do programa de preparação é na ordem de 90 por cento. Gostaríamos de ter conseguido responder a todas solicitações, mas nem tudo dependia exclusivamente de nós.

O dirigente afirma que o facto de uma das três equipas da Zona Austral presente no CHAN estar no nosso grupo diminui o número de jogos de controlo.

- O mais fácil seria jogar com equipas da região, mas com a África do Sul não é possível por estar no nosso grupo, tendo restando o Zimbabwe com quem já jogamos. Tentamos outros adversários mas questões burocráticas não facilitaram, sobretudo a questão do visto, pois a África do Sul atribuiu vistos simples o que impede que depois de entrar saia e regresse. Ou seja apenas entra e sai depois da missão.

Mesmo com esse contraste Johane garante no mínimo que os Mambas defrontarão a Líbia no próximo dia 7 e provavelmente o Gana, que estará a estagiar na mesma zona que Moçambique, neste final de semana.

A Selecção Nacional de Moçambique vai cumprir os cinco dias de preparação e ambientação ao clima na cidade de Joanesburgo prevendo-se que esteja já na sede do grupo “A” do CHAN no dia 8 de Janeiro, três dias antes do arranque da competição.

De acordo com Johane no início da próxima semana o staff de avanço da FMF deslocar-se-á primeiro a Cape Town tal como já havia feito antes através do próprio secretário-geral, assim como do vice-presidente para as Selecções Nacionais, António Chambal, que foram avaliar as condições oferecidas.

- Posso garantir que estivemos em Cape Town e tudo está preparado para que a participação seja boa.

Johane acredita que moçambique terá apoio até porque já tiveram consultas de alguns grupos que pretendem ir a Cabo.

Texto de Atanásio Zandamela

Fotos de Arquivo