Brincar em serviço em jogo de uma nação

Os moçambicanos procuram um lugar na fase de grupos de qualificação ao maior torneio continental enquanto que os marroquinos, na condição de anfitriões, já preparam a sua participação na prova.

Foi um desafio totalmente desiquilibrado, marcado por dominío total dos magrebinos, que realizaram um treino, no verdadeiro sentido da palavra. Os Mambas,m que estiveram muito aquem do desejado, ficaram a ver o seu adversário a jogar a seu bel-prazer e com relativa facilidade chegar aos golos que lhe valeram uma vitória justa, mecerida e tranquila depois de uma exibição que nem se quer os obrigou a transpirar tanto.

O Marrocos entrou a dominar e a controlar as operações em campo, fazendo-se valer do seu poderio físico e atlético acompanhado pelo tecnicismo de alguns dos seus jogadores que faziam circular a bola de pé-para-pé, adormecendo os Mambas para depois lançar jogadas longas para as costas dos centrais moçambicanos que, muitas vezes, viram-se superados pelos marroquinos.

Entretanto, a resistência dos Mambas demorou apenas 29 minutos, altura em que numa jogada desenhada do lado esquerdo do ataque marroquino, iniciada na cobrança de um ponta-pé de canto, Omar El Kaddouri rematou forte no vértice da grande área e a bola resvalou na cabeça de Moniz e foi parar no fundo da baliza de Moçambique.

Estava feito o primeiro golo do jogo.

Quando se esperava pela reaçcão dos Mambas, eis que numa desatenção da defensiva moçambicana, outra vez do lado esquerdo do ataque do Marrocos, culmina com a fuga de Mbarak pela linha lateral que centra para Youssef El Arabi fazer o 2-0, um golo muito contestado pela equipa moçambicana por ter sido obtido de forma irregular, num claro fora-de-jogo do atacante marroquino.

Daí em diante viu-se um Moçambique a tentar equilibrar o jogo, pecando pela demasiada insistência pelo futebol aéreo que facilitava sempre o adversário cuja compleição física é de longe superior à equipa escalada por João Chissano. O ientervalo chegou com notório crescimento das iniciativas do jogo de Moçambique mas sem criar grandes preocupações para o guarda-redes marroquino.

A segnda parte começou com o desejo dos Mambas em reduzir a desvantagem trazida do intervalo e tudo indicana que as coisas poderiam mudar de figura com a melhoraria da qualidade do passe e controlo da bola. Foram 24 minutos de algum domínio de Moçambique, o que provocou assobios nas bancadas por parte do público marroquino que culminou com perda infantil de bola por parte do capitão Dário Khan no centro da defesa, uma jogada excelentemente aproveitada por Aatif Chahechouhe para ampliar a vantagem do Marrocos para 3-0.

Com contornos de goleada, a equipa moçambicana caiu animicamente e os marroquinos brincaram com os mambas tal como lhes apetecia. Jogaram tranquilos, faziam passes livres de qualquer tipo de pressão e ensaiavam até algumas jogadas em rítmo de treino sem qualquer tipo de reacção dos mambas e aos 42 minutos da segunda parte, El Arabi bisou e sentenciou a partida em 4-0, num jogo em que os marroquinos passaram ao lado de uma goleada histórica ao disperdiçarem uma mão cheia de oportunidades para ampliar o score. 

VÍTIMAS DO SEU

PRÓPRIO VENENO

A selecção nacional viajou para este jogo desprovida das suas pedras basilares, sobretudo no sector defensivo, o que obrigou a muitas adaptações e remendos que resultaram  na humilhante derrota e uma pálida prestação da equipa de todos os moçambicanos.

A colocação de Moniz na zona central da defesa e de Kito à lateral direito facilitou as manobras ofensivas dos marroquinos que tiraram proveito da inadaptabilidade destas duas pedras e como prova disso é que três dos quatro golos do Marrocos surgiram do lado direito da defensiva moçambicana.

Às falhas do sector defensivo nacional, somaram-se as fracas exibições de algumas pedras do conjunto moçambicano, nomeadamente Nando, Diogo e Manuelito, que passaram ao lado do jogo.

Por outro lado, Momede Hagy, na companhia de Dito e Sonito foram as figuras que se destacaram na selecção moçambicana, mas que foram insuficientes para travar a força enérgica com que o Marrocos abordou o encontro.

Aliás, a selecção magrebina levou para este jogo todo o seu arsenal numa clara demonstração da importância que o jogo tinha no quando da sua preparação para a fase final do CAN-2015, o contrário verificado pela banda dos Moçambicanos que actuou com uma equipa praticamente de segundo plano.

João Chissano estreou alguns jogadores no “11 inicial”. mas não foi suficientemente feliz na defesa da dignidade de uma nação que esperava um pouco mais deste jogo, não fosse o Marrocos a selecção que tirara em 2012 a possibilidade de Moçambique estar no CAN do ano seguinte, na África do Sul. 

Outra lição foi dada a nível directivo onde os marroquinos mostraram mais uma vez a seriedade no que fazem.

No jogo de sexta-feira esteve presente no Estádio São Luís, em Faro, todo o “staff” da Federação Real Marroquina de Futebol, enquanto que pela banda dos moçambicanos, esteve apenas o chefe da delegação, Gervásio de Jesus.

O adversário foi superior

João Chissano, seleccionador de Moçambique

Foi um jogo difícil para nós. O Marrocos mostrou que é uma grande selecção e com potencial para ganhar o CAN-2015. Apesar dos números finais, demos alguma luta, mas a superioridade do adversário é inquestionável. Tentamos em alguns periodos do jogo equilibrar a contenda, mas o poderio dos marroquinos acabou por ser determinante num jogo em que cometemos muitos erros.

Estamos a fazer o nosso trabalho

Marouan da Costa, jogador do Marrocos

“Moçambique veio com uma equipa do segundo plano, mas nós estavamos a fazer o nosso trabalho que tem como objectivo ganhar o CAN-2015. Este foi o meu primeiro jogo na selecção do Marrocos e acho que com a série de jogos amigáveis que vamos realizar, chegaremos ao CAN com uma equipa forte e coesa para ganhar o torneio. Esperava defrontar os melhores jogadores que Moçambique tem, especialmente Mexer, com quem joguei alguns meses aqui em Portugal, mas infelizmente fiquei triste por saber que ele não veio.”

Estádio São Luís, em Faro, Portugal

Assistência:cerca de 4000 espectadores

Árbitro:Hugo Miguel, assistido por Paulo Soares e Nuno Pereira, todos de Portugal.

Quarto árbitro:Duarte Gomes, também de Portugal

MARROCOS – 4

Karim

Benatia

Issam

Achraf

Ayoub

Mounir

Da Costa

El Arabi

Omar

Mbarak

Mehdi

SUPLENTES UTILIZADOS

Berrabeh

Jamal

Barrada

Belhanda

Zacari

Aatif

NÃO UTILIZADOS

Amsif

Abderrahim

Aghabi

Zniti

Kautouri

TREINADOR

MOÇAMBIQUE – 0

Ricardo Campos

Kito

Dário Khan

Monis

Dito

Manuelito

Momed Hagi

Nando

Reinildo

Diogo

Sonito

SUPLENTES UTILIZADOS

Mário

Maninho

Isac

Milagre

NÃO UTILIZADO

Reginaldo

TREINADOR

João Chissano

Texto de Castro Jorge, do RM-Desporto