Dário dá esperança de manutenção

Em jogo de dois aflitos, posicionados abaixo da linha de água, solicitava-se que os intervenientes levassem para o jogo todos os argumentos de que dispunham. O Incomáti, com a missão mais difícil por estar a jogar no terreno do adversário, optou por apostar em dois pontas-de-lança, concretamente Mbinho e Skaba, com mais algumas unidades com alguma técnica como Mambucho e Mito para contrariar os anfitriões.

Por seu turno, o Desportivo apostou em três centrais, com Nando mais apoiante nas situações defensivas. Artur Semedo escalou para o meio-campo Cremildo, Maninho, Syabonga, Nando e Lanito, e na frente Dário Monteiro e Leonel.

O jogo iniciou com o Desportivo algo complicativo, visivelmente ansioso. Os “alvi-negros” tentavam fazer tudo rápido e se atrapalhavam, beneficiando a equipa dos visitantes, que ainda tentou dar o ar da sua graça à entrada da área de Victor, regressado à titularidade, mas sem muito perigo.

A pouco e pouco, o Desportivo assentou o seu jogo, com Maninho, Nando e Lanito a melhorarem de produção e fazendo as bolas chegarem em melhores condições aos homens do ataque, como aconteceu aos 25 minutos, numa jogada bem delineada, que começou do lado direito e passou para o lado contrário, de onde surgiu o cruzamento para a zona da pequena área, onde apareceu Leonel a desviar para o golo, no entanto, anulado pelo auxiliar que acompanhava a jogada, considerou que o jogador “alvi-negro” estava em posição irregular.

No minuto seguinte, Leonel insistiu dentro da área e a bola foi parar aos pés de Dário Monteiro, que a atirou para o fundo das redes de Marcelino, sem hipóteses de defesa. Os adeptos “alvi-negros” levantaram-se e festejaram efusivamente o golo conseguido.

O Desportivo passou a jogar com mais calma e a controlar todas as situações de jogo, a desenhar melhores situações de ataque. Por exemplo, aos 37 minutos podia ter marcado o segundo golo, depois de Nando partir em posição regular, uma vez que Leonel estava além da cortina defensiva. Ele correu em direcção à baliza, descaído para direita mas ao invés de servir a Dário, que vinha atrasado, preferiu procurar o buraco da agulha. Marcelino, que estava bem colocado, defendeu para canto com uma palmada.

Aos 40 e 42 minutos, assistiu-se a um duelo Leonel/Marcelino, sempre com vantagem para o guarda-redes. O avançado “alvi-negro”, mesmo isolado, por duas vezes não fez mais do que proporcionar acções de relevo ao “keeper” que veio de Xinavane e que um dia foi campeão com a camisola do Desportivo.

INCOMÁTI ENTRA ACUTILANTE

O Incomáti precisava reverter a situação se quisesse continuar a sonhar com a manutenção. Na etapa conclusiva, Flin mandou a equipa atirar-se deliberadamente ao ataque, até porque esperava que fisicamente o seu oponente não estivesse em condições de manter o mesmo nível da primeira parte.

Foi o Incomáti que lutou bastante na zona do meio-campo e ganhou muitos lances, em alguns momentos por demérito do Desportivo, que voltava a estar complicativo, como no início do jogo, e quase chegou ao golo quando Mbinho, na área, ganhou uma bola de cabeça, sem oposição, serviu a Skaba, que dentro da pequena área atirou para as nuvens, mas o árbitro auxiliar assinalou fora-de-jogo, e mesmo que tivesse introduzido a bola no fundo das redes, tal golo não valeria.

No primeiro quarto de hora, Artur Semedo achou que devia refrescar a sua equipa com Nelsinho, no meio-campo, em substituição de Cremildo, e Jojó no lugar de Dário Monteiro, autor do golo que dava vantagem aos “alvi-negros”. Cinco minutos depois, Leonel voltou a estar em evidência. Lanito cobrou um pontapé de canto à meia altura e algo tenso e o avançado fez o desvio, contudo a bola passou caprichosamente ao lado da baliza de Marcelino, gorando-se a oportunidade para aumentar o score.

Mas depois desta jogada, os donos da casa perturbaram-se e o Incomáti conseguia ter mais bola na intermediária, criando pânico no último reduto, onde Zainadine Júnior, Sidique Mussagy e Jorge foram obrigados a redobrar esforços para colmatar as investidas dos “açucareiros”.

Ficou visível que as duas substituições operadas pelos por Semedo não surtiram o efeito desejado, uma vez que Nelsinho não conseguia estancar o jogo do Incomáti, como o conseguido por Cremildo, quando este estava em campo, e os adeptos desesperavam-se sempre que as bolas eram cruzadas para a área de Victor, que conseguiu ser um excelente comandante, organizando e bem os seus homens do sector defensivo, que neste jogo cometeram menos erros, o que lhes valeu três preciosos pontos. 

A arbitragem de Sérgio Lopes situou-se num bom plano, até porque os intervenientes do jogo souberam comportar-se de forma excelente, apesar das emoções em torno deste despique.

CABINAS

Vitória justa

- Artur Semedo, treinador do Desportivo

“Na primeira parte podíamos ter feito mais golos. Na segunda parte, o nosso oponente ganhou do ponto de vista atlético e nesse aspecto acabámos por ser inferiores, no entanto conseguimos controlar o jogo e a vitória é justa. Sinto que estamos a ser vítimas da situação de debilidade em termos de número, num momento em que temos jogadores nucleares lesionados e temos de manter em campo alguns jogadores que demonstrem fadiga”.

Perto da despromoção

- Zainadine Mulungo, treinador-adjunto do Incomáti

“Não entrámos bem no jogo. Faltou concentração no momento da verdade. Estamos mais perto da despromoção do que da manutenção, mas vamos continuar a trabalhar para continuar a sonhar em continuar no Moçambola. Ainda temos mais dois jogos e vamos ver o que vai acontecer até ao fim do campeonato”.

FICHA TÉCNICA

Campo: Estádio 1.º de Maio Standard Bank

Assistência: cerca de dois mil espectadores

Árbitro: Sérgio Lopes (3), auxiliado por Arsénio Marrengula e Ali Raja. Quarto árbitro: Arlindo Silvano

Acção disciplinar: amarelo para Délcio

Golo: Dário Monteiro

Desportivo, 1

Victor 3

Sidique 3

Zainadine Jr. 3

Jorge 2

Maninho 3

Cremildo 2 (61’)

Syabonga 1

Nando 3

Lanito 2

Dário 3 (62’)

Leonel 2 (90’)

Suplentes utilizados

Nelsinho 2 (61’)

Jojó 1 (62’)

Yanick 1 (90’)

Suplentes não utilizados

Victor

Chees

Elísio

Rachide

Treinador

Artur Semedo

Incomáti, 0

Marcelino 4

Matawene 2

Kikita 3

Clarêncio 3

Verito 2

Mito 2 (80’)

Délcio 3

Mambucho 2 (60’)

Loló 1

Skaba 2

Mbinho 2 (67’)

Suplentes utilizados

Hilário 2 (60’)

Juvêncio 1 (67’)

Cláudio 1 (80’)

Suplentes não utilizados

Milagre

Eric

Tawinha

Treinador

Flin da Graça