Eu, Chababe, marquei 27 golos!

O conflito de gerações em muitas áreas do saber, da ciência, da tecnologia, da cultura, das artes e por que não do desporto(?) continua a provocar acesas discussões, cada uma das gerações puxando a sardinha para a sua brasa.

Não me atreveria escrever estas linhas se não tivesse ouvido o desencanto de uma geração de amantes do futebol, de antigos praticantes que dizem alto e a bom som que nossos tempos é que era, em contraposição àquilo que é o nosso futebol de hoje, àquilo que hoje se joga, à quantidade de pessoas que vão ao futebol, à espectacularidade dos jogos, à quantidade de golos que se marcava.

Contrapõem os mais novos dizendo que eram outros tempo, que o futebol hoje por hoje tem novas tácticas, maiores exigências devido à evolução que sofreu nos últimos anos e que não pode haver termos de comparação para épocas diferentes.

É um argumento que dá para adormecer o boi e quando acordar repensá-lo. Porquê?

Porque mesmo nesses tempos remotos falava-se lá fora de avançados que eram autênticos terrores aos defesas e aos guarda-redes, falava-se de avançados que no final do campeonato tinha 40, 30, 20 golos, chegaram ao fim das suas carreiras com mais de 100, 200, 300 a 400 golos.

Onde é que eu quero chegar?

Achei piada quando no final do nosso Moçambola o melhor marcador foi contabilizado com nove golos.

 Desatei-me às gargalhadas quando espreitei a listas dos diversos campeonatos de África e da Europa, sobretudo, e verifiquei que andamos mesmo a brincar aos futebóis.

Nove golos e se calhar vai ter direito a prémio, um prémio que vai ser atribuído numa gala.

E a nova geração não se envergonha quando ao fim de um campeonato que durou 26 jornadas o melhor dos marcadores não ficou-se pelos nove golos.

Eu que pertenço a outros tempos alegrava-me ver a quantidade de golos que o Gil, o Luís, o Geraldo Conde, o Calton, o Chababe, o Nico, o Chiquinho Conde, o Arnaldo e tantos outros avançados e fazendo comparações mete pena, mas muita pena mesmo!

Depois não eram só os golos, era a elegância de jogar, de executar lances, que os distinguia e fazia deles ídolos de todo um país.

O país inteiro conhecia Gil Guiamba, Calton, Chababe, Geraldo Conde, conhecia Nico, Chiquinho Conde e via neles o faro de golo nos pés, eram jogadores admirados, respeitados por aquilo que faziam no futebol.

Passam mais de 20 anos que Chababe Amade Chababe deixou de jogar futebol no nosso país, mas ele pode continuar a orgulhar-se e a dizer aos seus filhos que continua a ser o melhor marcador dos campeonatos nacionais de futebol de Moçambique, com 27 golos. Hoje quando se fala de que o melhor marcador obteve nove golos dá para chorar ou para grandes gargalhadas.

A história não consegue apagar esses golos e quando surgem melhores marcadores com nove golos mostram o quanto vai a pobreza franciscana do nosso futebol na área da finalização, na área de jogadores com faro de golo, com engodo da baliza.

Estamos conversados, mas diga-lhes Chababe para que seja um fantasma na cabeça dos nossos avançados de hoje:

- “Eu, Chababe, marquei 27 golos!”