Missão cumprida!

À saída da capital do país a palavra de ordem era a superação dos resultados atingidos há dois anos na Suazilândia – Moçambique ocupara o décimo e último lugar, apesar de ter ganho 20 medalhas – e o chefe da missão já dizia claramente que nesta categoria (Sub-20) não havia espaço para se buscar experiência. Considerava esta camada como sendo a ponte para os seniores, onde a preocupação passa pela busca de resultados.

Pelos resultados alcançados a palavra de ordem foi acatada, daí que na hora do balanço o chefe da Missão Moçambique, Jonas Chirindza, era um homem naturalmente feliz.

- Sem dúvidas, esta foi a melhor participação em termos de conquistas desportivas. Nesta edição fomos 26 vezes ao pódio, com a particularidade de em dez ter sido pelo ouro. Estamos em quarto, ao lado dos colossos da zona, o que é muito bom.

Quando questionado se à saída de Maputo esperava tanto assim, Jonas Chirindza disse que sempre acreditou que poderia superar 20 medalhas.

- Já nas entrevistas que fui concedendo em Maputo eu sempre dizia que pretendíamos superar as 20 medalhas alcançadas na Suazilândia. Pela minha experiência, e em função da delegação que levámos, acreditava que teríamos mais do que 20. Confesso que nas minhas contas esperava no mínimo três medalhas de ouro, que seriam importantes para não estarmos no último lugar. Mesmo com menor número de modalidades esperava isso da delegação, enfatizou.

ACREDITÁVAMOS NOS PARALÍMPICOS 

Jonas Chirindza afirmou a dado passo da nossa conversa que a Missão Moçambique tinha esperança em ter bons resultados dos paralímpicos, como veio a acontecer no boxe (ficou pelos dois bronzes), mas esperava muito mais do que conseguiu.

- Esperava bons resultados, sobretudo por parte dos paralímpicos e do boxe. Os primeiros corresponderam cabalmente. Para todos efeitos aquilo que nós prevíamos e em função da preparação que tivemos, e as condições tidas, é o que aconteceu. A chave para o sucesso disso foi direccionar exactamente o pouco que tínhamos para este grupo.

Em relação à natação, considerada por muitos como o elo mais fraco desta edição, o chefe da missão pensa que esta apenas teve uma concorrência à altura.

- Posso dizer que estamos numa zona muito forte e com países muito fortes nesta modalidade, como, por exemplo, a África do Sul, sem esquecer a Namíbia e Zimbabwe. Veja que nós trouxemos quatro miúdas e cinco miúdos, mas a África do Sul tinha 25 atletas para cada sexo, ou seja, esteve com 50 atletas e nós só éramos 87 elementos da delegação (somente 49 atletas).

ORGANIZAÇÃO ESTEVE BEM NO GLOBAL

Jonas Chirindza classificou a organização zambiana de boa.

- A organização foi um desafio para eles (zambianos), sobretudo na área da premiação. São coisas que acontecem por ser a primeira grande competição desportiva deles. Mesmo assim a organização esteve bem, no global.

Por outro lado, mostrou-se feliz com o contributo, assim como o acolhimento da embaixada moçambicana na Zâmbia.

- Estou muito satisfeito com a nossa participação e com o acolhimento que a nossa casa aqui (Embaixada de Moçambique). Fomos bem acolhidos e nos sentimos em casa.

Por outro lado, Jonas Chirindza afirmou que os Jogos do SCSA são a melhor coisa que os países da zona têm e apela para que no futuro se consiga colocar atletas mais jovens ainda a competirem.

- Estes jogos são a melhor coisa que temos na nossa zona. Na minha opinião já vamos atrasados porque só por esta via é que podemos desenvolver o desporto, mas cá só temos Sub-20. Na Europa estão sempre em competições desde os Sub-12.  

O básquete feminino tem que ir ao Zimbabwe

O professor afirma que os resultados alcançados vão fazer com que Moçambique vá aos próximos jogos pressionado em fazer ainda melhor. 

- Para Zimbabwe, sem dúvidas, que vamos aumentar mais a nossa previsão financeira porque, por exemplo, a equipa de basquetebol feminina de certeza não deverá ficar para trás. Sentimos bastante mesmo antes de chegarmos cá (Lusaka) porque o nosso basquetebol feminino tem valor na região. Aliás, a grande festa destes jogos é quando se disputa um Moçambique-Angola em basquetebol, seja qual for o sexo.

Por aquilo que Moçambique conseguiu alcançar nos Jogos o chefe da missão não tem dúvidas em considerar que a responsabilidade está acrescida para o país.

- Nós sempre tivemos grandes responsabilidades e devemos abraçar este projecto porque é trampolim para a alta competição. Nós prometemos, mesmo não sendo nós os fazedores, apoiar e incentivar as federações para trabalharem mais.