Tenho uma dívida de gratidão para com o Estrela Vermelha

Lichinga, de onde foi contratado pelo Matchedje na época passada com o objectivo de devolver a equipa “militar” ao Moçambola, o que acabou se consumando.Formado nas escolas do Estrela Vermelha de Maputo, onde fez quase todos os escalões inferiores até atingir os seniores, Kikito é hoje um jogador que desperta a atenção de qualquer amante do desporto-rei, dado a sua qualidade técnica dentro das quatro linhas. Na sua curta carreira consta uma passagem pelo FC de Lichinga, de onde foi contratado pelo Matchedje na época passada com o objectivo de devolver a equipa “militar” ao Moçambola, o que acabou se consumando.

 

Nascido na Mafalala a 12 de Agosto de 1988, Joaquim José Cossa (Kikito) ainda na tenra idade sempre mostrou interesse em jogar futebol, modalidade que para ele sempre foi uma paixão, até porque hoje ainda continua a praticá-la com muito gosto e satisfação, não fosse o seu ganha-pão. É no futebol que Kikito consegue colocar em prática os conhecimentos adquiridos no Estrela Vermelha, clube pelo qual se singrou no panorama futebolístico nacional até merecer a confiança de várias equipas que até hoje representou na sua carreira, que ainda promete um futuro promissor.

Com uma carreira brilhante no FC de Lichinga, onde jogou durante duas épocas, Kikito despertou a atenção do Matchedje e não tardou que o emblema “militar” o contactasse para fazer parte das suas fileiras na época passada, o que veio a acontecer porque o jogador aceitou a proposta de representar aquele clube. No FC de Lichinga o médio criativo revela ter passado por momentos tumultuosos devido à falta de seriedade por parte dos dirigentes daquele emblema, uma vez que não cumpriam com certas cláusulas contratuais e, fora isso, não havia o cumprimento no pagamento dos seus ordenados em todos finais do mês.

Engana-se quem pensa que a sua integração no Macthedje foi fácil, pois Kikito chegou a este clube num momento em que a equipa lutava incansavelmente para não descer de divisão, o que fez com que experimentasse uma série de dificuldades de caris psicológico, porquanto o grupo de trabalho e a direcção da colectividade estavam desavindos devido aos maus resultados que a turma “militar” registava no Moçambola, mas nem com o seu contributo Kikito conseguiu evitar que a equipa descesse para a divisão secundária.

Depois que a equipa desceu de divisão Kikito continuou a abraçar a causa “militar”, disputando o Campeonato da Cidade, onde conseguiu contribuir significativamente com as suas belas exibições e através dos seus golos para que a equipa voltasse à fina-flor do futebol moçambicano. No Campeonato da Cidade para muitos ele foi um dos jogadores mais regulares da prova, carregando a equipa no miolo, a par do já outorgado jogador Tchótchó, que no seu palmarés consta uma passagem pelo Desportivo de Maputo.

O jogador conta que não foi fácil disputar o Campeonato da Cidade, visto que vinha do Moçambola, uma competição bem distinta da II Divisão, mas com muito trabalho e afinco revela que conseguiu ultrapassar todas as adversidades e também com a união do grupo de trabalho, que para ele era muito coeso, tudo acabou correndo de feição.

 

TIVEMOS OSCILAÇÕES

 NA POULE

Depois que o Matchedje conseguiu vencer o Campeonato da Cidade, o que lhe deu direito de disputar a Poule de Apuramento do Moçambola, a turma “militar” entrou de rompante, ao derrotar na primeira jornada o Djuba FC no seu reduto por duas bolas sem concorrência, numa partida em que mais uma vez Kikito resplandeceu e espalhou o perfume do seu tecnicismo até onde quis. Já na segunda jornada a equipa orientada pela “velha raposa” recebeu e venceu a Associação Desportiva da Maxixe (ADM) pelo mesmo resultado registado no jogo da primeira jornada. Com este resultado a massa associativa do Matchedje, maioritariamente composta por militares, já cantava vitória, pois acreditava indubitavelmente que o Moçambola já era uma realidade.

Já no jogo da terceira jornada diante do Ferroviário de Gaza os “militares” defraudaram meio-mundo que se deslocou ao campo do Costa do Sol, seu terreno emprestado, para confirmarem mais um triunfo dos anfitriões, mas para o seu desagrado saíram daquele local cabisbaixos, porque os “locomotivas” conseguiram arrancar uma vitória saborosa por duas bolas a uma, embora o Matchedje tenha entrado a vencer ao marcar um golo logo nos minutos inciais da partida, num jogo em que Kikito foi sombra de si mesmo, com uma exibição pálida e desastrosa.

Depois deste jogo veio o momento de incertezas no Matchedje, os jogadores perderam a cabeça, pautando por exibições menos conseguidas, e o até então melhor jogador da turma “militar” Kikito baixou de produção.

- Depois da derrota diante do Ferroviário de Gaza perdemos a cabeça. Eu particularmente fiquei muito triste por aquele resultado, mas são coias do futebol. A partir do momento em que perdemos aquele jogo tivemos várias oscilações na poule, já não estávamos concentrados, mas o trabalho psicológico da equipa técnica foi fundamental, porque eles sempre incutiam em nós que tínhamos que acreditar, até porque nada estava perdido.

Até ao jogo da última jornada diante do Ferroviário de Gaza no seu reduto o Matchedje ainda sonhava em ascender ao Moçambola, mas isso passava por uma vitória, uma vez que os gazenses estavam mais perto de cometer a proeza de chegar à prova rainha do nosso futebol pela primeira vez, visto que só com um empate os comandados do Erasmo Cabral entravam para a história. Kikito revelou ao nosso semanário que o jogo diante dos gazenses era de risco, e a mensagem da equipa técnica era no sentido de arriscar e jogar mais para o ataque, o que chegou a resultar numa vitória por 1-0, num jogo em que Kikito, mais uma vez, não conseguiu reluzir.

 

DESMENTE KIKITO

Nunca fui contactado pelo Maxaquene

O médio ofensivo do Matchedje, Kikito, nega de pés juntos a informação propalada por alguns órgãos de informação sobre um possível namoro da equipa tricolor para representar o clube na próxima época. Diz ter ficado atónito quando veicularam essa informação, porque ele nunca recebeu nenhuma chamada de nenhum dirigente do Maxaquene a mostrar interesse em o ter nas suas fileiras. Kikito garante que actualmente há muitos clubes que já o contactaram, mas por enquanto não pode revelar, sob pena de estragar o processo, mas em momento oportuno todos saberão.

- Fiquei muito espantado quando alguns órgãos de comunicação social veicularam essa informação, porque em momento algum recebi nenhum convite do Maxaquene. Portanto, criou-se esse alarido todo sem necessidade. Agora há muitas equipas que já me contactaram, mas ainda é cedo para revelar, julgo que no momento oportuno saberão.

 

NO JOGO CONTRA O FER.GAZA

Pulámos o muro só para distrair o adversário

No jogo da última jornada da Poule de Apuramento ao Moçambola os jogadores do Matchedje surpreenderam a todos os presentes no campo do Ferroviário de Gaza ao se introduzirem dentro do campo de forma deselegante e contra as normas estabelecidas pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF), ao pularem o muro, o que gerou um certo tumulto. Questionado sobre esse comportamento, Kikito afirmou ao desafio que a ideia de pular o muro foi pura e exclusivamente dos jogadores e iliba a equipa técnica. Mais do que isso, admite que tudo não passou de uma estratégia psicológica com o intuito de distrair o adversário, mas também porque acreditam no uso da metafísica no nosso futebol.

- Antes do jogo reunimo-nos e chegámos à conclusão de que não devíamos entrar do portão principal que dá acesso directo ao campo, mas sim tínhamos que pular o muro, e foi exactamente isso que nós fizemos. Mas também a ideia era confundir o adversário e o abater psicologicamente. A equipa técnica nem sabia de tudo isso, foi uma ideia dos jogadores, mas também temos que aceitar que existe a metafísica no nosso futebol, e aquele era um jogo de risco, pelo que tudo era possível.