Adeus, Afonso Eusébio!

Quis o destino que tão cedo partisse para uma viajem sem regresso, mas deixando para trás o seu legado, que o mundo desportivo moçambicano de certeza irá seguir e conservar de forma a imortalizar esta figura. Esta cerimónia contou com a presença de alguns antigos colegas no Costa do Sol, tal é o caso de Tomás Jumisse, César, Luís Siquisse e Santinho, este último que representou o Maxaquene.

O desaparecimento físico deste homem é visto por alguns desportistas como sendo uma perda irreparável para o nosso desporto, pois ele, enquanto jogador, nas décadas 70 e 80, conseguiu ser um homem exemplar, pautando por uma conduta dentro dos parâmetros normais diante dos seus colegas, e, mais do que isso conseguiu ser um modelo para os seus colegas.

Isac Aly é uma das pessoas que conviveu muito com Afonso Eusébio e descreve o seu desaparecimento físico como um momento de muita tristeza, e destaca o facto de ele ter morrido no mesmo dia em que um outro grande desportista perdeu a vida, neste caso o Babalito.

- A notícia da morte de Afonso Eusébio, colheu-me de surpresa, pois em momento algum isso me passou pela cabeça. Estou triste. Como uma pessoa humana ele tinha poucas brincadeiras e como desportista foi uma pessoa sempre alegre, conseguia unir o balneário, por isso todos o respeitavam bastante. Curiosamente, ele perdeu a vida no mesmo dia em que um outro meu amigo, neste caso o Babalito, perdeu a vida também, por isso o dia 24 de Novembro tem muito significado para mim, lamenta.

 

ELE ERA MUITO

CARINHOSO

Por outro lado, a sua esposa, dona Noémia Nhantumbo, não conseguiu esconder a sua tristeza perante a nossa equipa de reportagem, faltando-lhe palavras para descrever o percurso do seu esposo, mas deixou ficar claro que ele foi sempre um homem calmo, carinhoso, acima de tudo pouco conversador, mas que nos últimos dias antes de perder a vida conversava bastante com os filhos e queria sempre a família ao seu lado. Segundo dona Noémia, Afonso Eusébio era um indivíduo que tinha poucas brincadeiras e a sua rotina era única, de casa ao serviço e vice-versa, e, mais do que isso, gostava de ir aos campos para assistir algumas partidas de futebol, sobretudo quando jogasse a selecção nacional.

- Estou muito triste pelo sucedido. Afonso era um homem carinhoso e sereno. Ele não gostava de conversar, era muito fechado, mas nos últimos dias conversava muito com os filhos. Ele não tinha muitas brincadeiras. Gostava de ficar em casa a divertir com amigos. Não gostava de aventuras. Saía de casa para o serviço e do serviço voltava a casa, sublinha dona Noémia, para depois acrescentar que gostaria que as pessoas ligadas ao desporto moçambicano reconhecessem a obra deixada pelo seu marido.

 

Percurso do malogrado

Afonso Eusébio nasceu na província de Inhambane, no dia 10 de Março de 1947, onde frequentou o ensino primário antes de rumar para a capital do país, por volta da década de 70. Com a ambição de continuar com os seus estudos, Afonso abandonou a sua terra natal rumo a Lourenço Marques, actual Maputo, tendo ingressado na Escola Industrial, onde fez o quarto ano de escolaridade, mas como as condições de vida não lhe eram favoráveis viu-se obrigado a abandonar os estudos para trabalhar, ingressando nos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), tendo depois trabalhado no Banco Popular de Desenvolvimento (BPD), no ano 2000 e de 2004 até a data da sua morte Afonso Eusébio trabalhava n empresa de segurança G4S.

Quanto veio a Lourenço Marques surgiu-lhe o bichinho de futebol e de forma surpreendente começou a dar nas vistas, o que despertou a atenção do Ferroviário da capital, clube onde militou durante alguns anos, mas foi exactamente no Benfica de Lourenço Marques (Costa do Sol) onde ele se notabilizou, dando muitas glórias ao clube “canarinho” junto com os seus colegas de então, tal é o caso de Tomás Jumisse, César, Luís Siquice, Artur Semedo, Messias, Ahmed, Sergito, Caldeira, entre outros craques.

Afonso Eusébio – que enquanto jogador usava com a mesma perfeição os dois pés, daí que tanto jogava a defesa esquerdo assim como a lateral-direito – deixa viúva e dois filhos, nomeadamente Eusébio, de 21 anos de idade, e Samanta, de 14 anos.

É caso para dizer lá se foram os dedos, mas ficaram os anéis. Descansa em paz, Afonso.

 

Perdemos um

grande homem

- João Raúl, director do Departamento de Futebol do Costa do Sol

O director do Departamento de Futebol do Costa do Sol, João Raúl, classifica a morte de Afonso Eusébio como um momento de tristeza para o Costa do Sol, olhando para aquilo que ele fez por este clube e exorta a família enlutada para que seja forte neste momento de aflição. João Raúl revela que a morte deste homem deixa um vazio para o desporto moçambicano, pois inspirou e continua inspirando muita gente através da sua obra durante todo tempo em que esteve ligado ao desporto.

- Neste momento, o nosso sentimento é de profunda mágoa e consternação pelo desaparecimento físico deste homem, que soube servir o desporto, através da sua obra que tanto inspira e continuará a inspirar muita gente. Ele foi e sempre será uma figura de proa para o nosso clube e tudo faremos para o imortalizar.