Não queremos voltar com a mesma posição da Suázi

De acordo com o director do INADE, Moçambique vai para este evento tendo como referência exactamente os últimos jogos, daí que o desafio que se coloca à delegação nacional é no mínimo manter o número de lugares de pódio, mas procurando qualidade de modo a sair do último lugar de há dois anos.

– Decidimos em referência ao que foram os últimos jogos que temos de melhorar a nossa classificação. Queremos conseguir aumentar ou manter o nível de lugares de pódio, mas nestes números (20 medalhas) temos de procurar qualidade, ou seja, aquilo que nos possa colocar numa melhor classificação (ouro). Este é o nosso objectivo do ponto de vista desportivo.

Segundo António Munguambe, esses objectivos são alcançáveis, até porque o trabalho de preparação começou há algum tempo, tendo sido intensificado há três meses.

– A preparação começou há muito tempo com as federações a cumprirem os seus próprios planos, mas começou a ser feita de forma intensiva e assistida há três meses, com a intervenção do INADE.

 

 

APOSTA CLARA NAS

MODALIDADES INDIVIDUAIS

Disputados em oito modalidades, Moçambique participa nos Jogos deste ano com menos duas devido à falta de capacidade financeira aliada aos resultados menos conseguidos.

– Do potencial total, não estaremos em três especialidades. Não estaremos com o basquetebol feminino por indicação da própria federação, que optou pelos masculinos. O futebol não estará presente. Nestes dois casos por razões fundamentalmente financeiras, que se entenda exiguidade de orçamento. Já sobre o netball não é somente a questão financeira que está em causa, mas principalmente a questão técnica, devido ao seu nível de competitividade no país, sublinhou Munguambe.

Por outro lado, o dirigente disse que se fez uma ginástica financeira para garantir a participação de Moçambique nos Jogos e ampliar o lote de opções.

– Posso dizer que tivemos de fazer uma ginástica financeira para ampliarmos a base para termos maiores possibilidades de competição, ou seja, o potencial que tínhamos do basquetebol se transferiu para as modalidades individuais. Sentimos que as individuais tinham mais capacidade em termos de possibilidade.

Mesmo diminuindo as modalidades, os objectivos traçados continuam intactos, tal como garante prof. António Munguambe.

– Os objectivos preconizados, mesmo com a redução da comitiva, continuam intactos. Sabemos que em termos de quantidade estamos debilitados, mas tudo foi feito para que efectivamente as selecções nacionais pudessem preparar-se com a devida tranquilidade. Há inclusive casos de algumas modalidades que acabaram tendo possibilidade de competição. Sempre estivemos disponíveis para ajudar no que fosse necessário. Em alguns casos houve até competições internacionais. Apesar de serem jogos de amizade, não deixam de ser competitivos.

De acordo com Munguambe, uma coisa é certa e os seleccionados sabem que se deve ir na máxima força.

– Vamos com toda a força e os objectivos mantêm-se os mesmos. Mas sabemos que vamos a um terreno de competição e é bom a gente ir com a consciência de que os outros concorrentes têm os mesmos objectivos, em alguns casos muito mais ambiciosos que os nossos, mas nós também estamos preocupados em melhorar a nossa classificação. O que é certo é que nós não queremos voltar na mesma posição. Temos um legado duma maneira de estar e trabalhar com as federações que vêm dos Jogos Africanos.

Por essa razão, Munguambe tem certeza de que há uma consolidação desse processo que o leva a ter certeza de que se está bem do ponto de vista de coordenação.

– Acredito que desta vez não se fala de falta de campo ou condições mínimas de trabalho, apesar de estas dificuldades ainda existirem. Penso que nenhuma selecção se pode queixar de que tenha faltado o mínimo.

 

 

COMUNIDADE MOÇAMBICANA NO APOIO

Por outro lado, afirma que está acautelada a questão emocional, acreditando-se que Moçambique terá apoio da comunidade que vive na Zâmbia.

– Nós vamos à Zâmbia, que é um país vizinho, e dois aspectos foram acautelados ao nível da ligação emocional com os moçambicanos. Estamos a trabalhar com o Alto Comissariado e a nossa adida da delegação é uma pessoa destacada pelo Alto Comissariado. Isso é para dizer que estamos juntos com ele.

Por outro lado, espera que milhares de moçambicanos (pais e encarregados de educação) acompanhem a prestação da delegação através dos principais órgãos de comunicação do país (desafio, RM-Desporto, TVM e notícias) que farão a cobertura.

 

Em Lusaka já a pensar

no próximo ciclo olímpico

Do ponto de vista geral, António Munguambe afirma que, terminado o ciclo olímpico, há que pensar no que se segue.

– Não há dúvidas de que estes jogos devem criar uma base de preparação dos nossos atletas para o ciclo olímpico a seguir. Temos de ter uma visão clara do que se pode fazer para os Jogos Africanos de 2015 e os Jogos Olímpicos de 2016. Tudo é feito dentro do anteprojecto do ciclo olímpico que temos, que será alicerçado pelo plano estratégico desenhado pelo Comité Olímpico de Moçambique.