Temos de colocar a Liga no topo do futebol africano

sexto lugar, com 38 pontos resultantes de dez vitórias, oito empates e oito derrotas. A equipa marcou 30 golos, ficando a quatro do Costa do Sol, que teve o maior ataque na prova e com mais quatro que o Maxaquene, campeão nacional

Os “muçulmanos” ainda conquistaram a Taça de Moçambique, a segunda maior prova futebolística do país, vencendo na final o Costa do Sol por 1-0, através de um golo soberbo de Telinho.

A nossa Reportagem agendara uma entrevista com Litos, técnico-principal dos “muçulmanos”, mas este, que sofreu um assalto na sua residência durante a semana, disse ao desafio que não estava em condições de prestar declarações, por estar ainda transtornado com o sucedido, e Sérgio Faife, seu adjunto, fez as honras da casa.

 

ENCONTRÁMOS

UMA EQUIPA PERTURBADA

O membro da equipa técnica dos vencedores da Taça de Moçambique começou por analisar o percurso da equipa no Moçambola, a partir do momento em que a responsabilidade já não pertencia a Artur Semedo.

– Fizemos um trabalho positivo. Encontrámos uma equipa perturbada devido aos maus resultados e, deste modo, acabámos por trabalhar mais no aspecto psicológico dos jogadores. Tenho a certeza de que a equipa técnica anterior não perdia jogos por falta de qualidade, mas há situações que por vezes imperaram no decurso do trabalho e acabaram afectando toda a máquina. Dissemos aos jogadores que eles continuavam a ser os melhores e se motivaram, mas não foi de imediato. Ainda perdemos alguns jogos, explicou Faife.

Depois, o adjunto de Litos debruçou-se sobre a conquista da Taça de Moçambique, vencendo uma grande equipa que tinha feito uma excelente ponta final no campeonato. Faife reconheceu que o golo de Telinho fez a diferença naquele jogo.

– A Taça foi uma aposta nossa. A Liga, anteriormente, tinha sido eliminada na fase da cidade e era importante que conseguíssemos fazer história ganhando o primeiro troféu para as vitrinas da colectividade. Esta é uma prova sempre difícil para qualquer interveniente e as equipas teoricamente fáceis costumam a fazer surpresas, pelo que era importante que estivéssemos muito concentrados. Defrontámos na final uma grande equipa, o Costa do Sol, que ainda tem o maior número de taças conquistadas, e foi motivação para o nosso grupo também o facto de estar na primeira final da competição. Ganhámos porque marcámos, mas sobretudo assistiu-se a um bom jogo, frisou.

Com esta conquista, a Liga Muçulmana, pelo terceiro ano consecutivo, ganha direito de representar o país, depois de ter participado nas Afrotaças pela conquista dos títulos de campeão nacional nos anos anteriores.

– Temos o sonho de fazer melhor nas competições africanas. Não nos referimos tão-simplesmente a superar o que foram as prestações da Liga Muçulmana. Olhamos para o que tem acontecido com as equipas moçambicanas neste tipo de competições e achamos que temos a obrigação de tentar reverter a situação. Achamos que poderá ser possível se cada um de nós, do presidente ao roupeiro, fizer melhor o seu trabalho. Contamos com o apoio do público, mesmo daqueles que não sejam simpatizantes da Liga, pois somos um representante moçambicano nas competições africanas e não faz sentido que o adversário tenha mais apoiantes que nós, jogando na nossa casa. Temos de colocar a Liga no topo do futebol africano.

 

ALGUNS JOGADORES

SAEM POR INICIATIVA PRÓPRIA

Sérgio Faife não quis aprofundar o assunto sobre os jogadores que vão deixar a Liga Muçulmana, dos que ficam ou daqueles vão reforçar a equipa, até porque, segundo ele, ainda estão em curso conversações para o efeito, embora já se fale do reforço de Zainadine Júnior, Liberty, Eusébio, Nando, entre outros. O técnico admite que a equipa deverá estar bem melhor na próxima temporada de forma a atacar os seus objectivos traçados, que passam por uma boa prestação nas Afrotaças, conquista do título e revalidação da Taça de Moçambique.

– No que diz respeito aos jogadores que vão sair da equipa, tenho a dizer que uns estão em final de carreira e o clube não renovou com eles. Outros ainda têm contrato mas, porque foram pouco utilizados, pediram para deixar a equipa por acharem que vão ter poucas oportunidades para jogar. Esses jogadores não saem por falta de qualidade. Podem crer que serão reforços de peso para onde eles forem. Dos que estão para ser contratados, prefiro não me pronunciar neste momento. Só quando estiver tudo no preto e branco. Pela experiência que tenho, não confio nos jogadores. Uns dizem que não têm contrato, quando o seu vínculo com as outras equipas ainda prevalece. Por isso, não vou avançar nomes, mas vamos formar uma boa equipa para conseguirmos os nossos objectivos.

A nossa Reportagem ficou a saber, no entanto, que Carlitos, Micas, Mayunda, Nelinho, Nelson, Maurício, o ganês Daniel, o defesa-central Danito, que representou o Cape Cape, e Cantoná, que pôs termo à sua carreira, não deverão continuar a envergar a camisola da Liga Muçulmana. Em relação à situação de Carlitos, impedido de treinar na última semana da temporada, o técnico disse desconhecer as reais razões.

– Tinha acontecido algo que se considerou um mal-entendido, anteriormente, e o jogador foi obrigado a parar de treinar, mas depois o técnico principal reconsiderou a situação. Na última semana, ele foi proibido de treinar, uma vez mais, mas desconheço as razões. Foi uma situação complicada, mas que julgo que está ultrapassada, esclareceu Faife.

 Nos últimos anos, a Liga Muçulmana foi reconhecida como a equipa com o melhor plantel, aglutinando os melhores jogadores desta perola do Índico. A nossa Reportagem questionou a Faife se com a equipa de 2012 não seria possível alcançar os objectivos preconizados para o próximo ano. Em resposta, ele disse que não duvidava da qualidade dos jogadores que fizeram o plantel da temporada recentemente finda.

– Volto a dizer que são excelentes executantes, mas o plantel foi escolhido pela equipa técnica anterior, de acordo com a sua filosofia de trabalho. Na minha opinião, com esta equipa também teríamos possibilidade de ganhar, mas não se encaixam naquilo que o chefe da equipa técnica pretende.

 

Os primeiros quatro

jogos foram difíceis

O nosso interlocutor recorda o mau momento que a equipa técnica chefiada por Litos passou na temporada de 2012, apontando a fase em que a equipa não conseguia vencer uma partida sequer, chegando a pairar o espectro da despromoção.

– Os primeiros quatro jogos foram muito difíceis. A equipa não conseguia reagir face aos desaires anteriores. Chegámos a pensar na despromoção, principalmente porque, quando jogássemos com os históricos, os seus adeptos gritavam para nós que esse seria o nosso destino. Os jogadores ficaram mais afectados com a situação, mas a partir da primeira vitória a situação inverteu-se. A equipa passou a jogar com mais alegria e a ganhar mais jogos, saindo da zona da aflição.

Depois desta fase, a Liga Muçulmana colocou as mãos na calculadora para outras contas, uma vez que, face aos resultados menos bons das equipas que ia na frente, matematicamente era possível lutar pelo título.

– Sinceramente, não era esse o nosso objectivo. Para nós importava melhorar cada vez mais a nossa classificação. Tínhamos perdido muitos pontos no início e seria muito complicado chegarmos ao título, embora não fosse impossível. Queríamos, pelo menos, conseguir subir até ao terceiro lugar, estando mais próximo dos primeiros classificados, revelou Faife.

 

 

É difícil estar numa

equipa sem adeptos

Mesmo jogando no seu campo, a Liga Muçulmana ressente-se da falta de apoio e, jogando com os chamados grandes do nosso futebol, os “muçulmanos” nunca sente o calor do adepto; muito pelo contrário, os contrários até vão ao extremo de vaiá-los. Faife lamenta a situação, mas refere que quem joga na Liga deve mentalizar essa situação.

– Sempre que jogamos com o Costa do Sol, Ferroviário, Maxaquene, Desportivo, clubes com o maior número de adeptos, estaremos em desvantagem em relação à componente apoio. Os nossos jogadores vêm de outras colectividades com muitos apoiantes e estão ao seu calor nos jogos. Na Liga é o contrário, mas eles devem mentalizar essa realidade e não se deixarem afectar pelas vaias. No jogo da final, dirigi-me aos jogadores, um por um, e disse-lhes que todos os adeptos que estavam no campo era apoiantes do Costa do Sol e que nós devíamos a fazer o nosso máximo para calá-los com a nossa qualidade. Eles conseguiram acatar e conseguimos estar bem no jogo, disse o técnico muçulmano.

 

Não estou na Liga a pensar

apenas na equipa principal

O técnico Sérgio Faife Matsolo disse que, quando foi convidado para regressar à Liga Muçulmana, não foi apenas para trabalhar na equipa principal, mas para no futuro abraçar a área de formação, contribuindo para que a Liga deixe de comprar jogadores das outras equipas, produzindo os seus.

– A Liga Muçulmana é um clube com condições para criar uma área de formação que possa dar bons frutos no futuro. Foi uma das perspectivas para a minha contratação, pelo que não vou limitar-me a trabalhar na equipa principal. Num futuro muito breve, vou coordenar o futebol juvenil deste clube e tenho a certeza de que um dia o clube vai abandonar a situação de comprar jogadores de outras equipas, assegurou Faife já no fim da nossa conversa.