Descarregámos nos jogos a raiva do desgaste físico e psicológico

 a prova, mas sofreu pouco (dez golos) e destacando-se como a defesa menos batida, superando o Maxaquene (campeão nacional), que sofreu golos por onze vezes.

No seu percurso no Moçambola totalizou 40 pontos, menos dez que os “tricolores”, de Arnaldo Salvado, e ficaram a sete do Ferroviário da Beira, vice-campeão nacional. Do Costa do Sol e Ferroviário de Maputo, terceiro e quarto classificados, respectivamente, os “marlins” chegaram ao fim da prova em desvantagem de dois pontos. O quinto lugar é a melhor classificação de sempre da equipa do norte de Inhambane no Moçambola, superando o sétimo lugar acordado para o primeiro ano de contrato entre Chiquinho Conde e o Vilankulo.

Nos “marlins” deve-se realçar que, além de Matlombe, jogador mais pontuado pelo semanário desafio no Moçambola-2012, o Vilankulo teve na sua baliza, durante vinte jogos, o malawiano Simplex, guarda-redes menos batido da prova, com sete sofridos.

 

PERCORRERAM 3200

QUILÓMETROS POR MÊS

 

– Que balanço faz deste Moçambola?

– É positivo, atendendo e considerando a nossa posição geográfica. Fizemos distâncias de 1600 quilómetros em cada quinze dias, totalizando 3200 quilómetros por mês, o que foi desgastante e desumano. Depois dos jogos era obrigado a dar dois dias de folga e o primeiro dia de treinos era reservado à recuperação dos jogadores. Temos de ter em conta que não tínhamos um plantel vasto, mas felizmente conseguimos ter sucesso e o facto histórico de nunca termos perdido em casa e também não termos sofrido um único golo no nosso terreno. Conseguimos, assim, a melhor classificação do Vilankulo num Moçambola.

– Quais foram os segredos para este êxito?

– Fizemos um trabalho para conseguir melhor. Para mim, as equipas são montadas de trás para frente. Conheci o Simplex na Liga Muçulmana e depois de ser dispensado pensei que ele podia ser útil para a equipa. Foi uma aposta acertada. Ele é, na minha opinião, o melhor guarda-redes do Moçambola. Depois conseguimos uma ter uma defesa constituída por jogadores muito fortes, combativos e com boa compleição física, o que ajudou bastante nos nossos objectivos. Como sabemos, todos gostam de atacar mas, quando perdem a bola, os posicionamentos não são os ideais. Trabalhamos para melhorar esse aspecto e conseguimos colmatar algumas insuficiências. Segundo Mourinho, marcar golos ganha jogos e dá espectáculo, mas defender bem ganha campeonatos. Se reparar, o Maxaquene foi a segunda equipa menos batida e foi campeão porque marcou golos, ao contrário de nós. Se concretizássemos metade das oportunidades criadas, lutaríamos pelo título.

– Tinham outras lacunas?

– Sim, mas tivemos de lutar para conseguirmos que os jogadores interpretassem as transições defesa/ataque como eu pretendia. Conseguimos, felizmente, que o nosso receptor acatasse com integralmente o que lhe transmitíamos.

– Dado que suplantavam as dificuldades que iam encontrando, o tal desgaste não chegou a ser um grande opositor para equipa?

– O desgaste físico e psicológico, consequente das viagens que fazíamos, descarregávamo-lo com raiva nos jogos. Fora de casa, jogávamos em contra-ataque, baixando as nossas linhas, tentando jogar muito juntos. Muitas vezes na transição defesa/ataque, as coisas não saíam de feição porque não tínhamos jogadores rápidos. Decidimos por alternar o ataque rápido e o contra-ataque. Tivemos outra contrariedade na nossa forma de jogar, não conseguíamos reter muito tempo a bola por causa de alguns maus pisos onde jogámos, mas acabei por ficar feliz com a equipa porque tentou sempre interpretar com rigor aquilo que transmitíamos.

 

TRÊS FORMAS DE ESTAR EM CAMPO

 

– Durante o campeonato, o Vilankulo apostou em vários dispositivos tácticos. Quais foram essencialmente?

– O nosso primeiro sistema foi o 4x2x3x1, mas por vezes optávamos pelo 4x1x3x2, jogando em casa. Fora, de acordo com o adversário, preferíamos o 3x5x2. Muitas vezes resultaram, outras não, naturalmente.

– Existe grande diferença entre o Vilankulo-2012 com o que encontrou em 2011?

– Sim. Saíram quase 11 jogadores e entraram outros tantos. Tenho aqui de agradecer à direcção por ter proporcionado a pré-época na África do Sul, o que fortificou o grupo. Para mim, a pré-época não suporta a época, mas ajuda a conseguir unir o grupo e a conseguir bons resultados no princípio, o que pode ser determinante para uma equipa. Não podíamos fazer a pré-epoca na nossa região porque depois não encontraríamos equipas à altura para defrontar com melhor capacidade. Nesta fase, a equipa tem de defrontar equipas mais fortes para poder sofrer e aprender desse sofrimento a rectificar os erros e, como fruto disso, tivemos um arranque fabuloso.

– O Vilankulo ficou em quinto lugar, mas a dado momento do campeonato foi cogitada uma posição mais acima no fim no campeonato. O que terá acontecido para não o conseguir?

– Ao longo da minha carreira de jogador, como na de treinador, aprendi que o segundo classificado é o primeiro dos últimos. O que regozija é o título e nunca os lugares que vêm a seguir. Vou aqui dizer, mesmo assim, que depois do Maxaquene ter vencido ao Ferroviário, já na segunda volta, sentimos muita pressão sobre a equipa. Depois sofremos uma derrota na Beira, com um golo irregular, e nos jogos que faltavam disputar nos faltou maturidade. Tivemos uma fase em que já não contávamos com o Osvaldo, que foi para Portugal, o Tenday, lesionado, além do Sadique, Silvério e Getinho. Ficámos com uma equipa muito jovem, mas guerreira, apesar de imatura. Mesmo assim, a equipa conseguiu ganhar alguns jogos, mas não o fizemos contra o Ferroviário de Maputo, Costa do Sol, Ferroviário da Beira e Chingale, perdendo muitos pontos, pelo que descemos na tabela classificativa. Mas fiquei lisonjeado pelo que conseguimos fazer contra as equipas mais robustas financeiramente.

– Já pensa na próxima temporada?

– Claramente! Já tinha delineado o esqueleto da equipa mesmo ciente da perda de alguns jogadores. Não vamos poder contar com o Simplex, Mauro e Belmiro. O Tenday está no Zimbabwe a recuperar de uma lesão e não sabemos se irá recuperar a tempo para a próxima temporada. O Eurico terminou o contrato e existe das partes uma manifestação de interesse em poder continuar o vínculo. A estrutura continua, mas vamos ter de reforçar a equipa.