Temos cinco anos a nosso favor

Em contacto com a nossa Reportagem, o presidente da FMP, Nicolau Manjate, destacou o facto da candidatura de Moçambique para a organização do Mundial de 2017 ter sido aprovado pelo CIRH devido a uma série de factores, desde o conforto que tinha do Governo até ao facto dos próprios estatutos do órgão reitor da modalidade, a nível mundial, destacarem que quando vários concorrem para albergar uma prova do género, total primazia vai para aquele que ainda não a acolheu.

 

TEMOS CINCO ANOS

PARA NÃO FALHARMOS

Há dois anos, um dos acontecimentos desportivos que marcou negativamente os moçambicanos foi a retirada da organização do Mundial de 2011, que em 2009 havia sido indicado a Moçambique pelo CIRH.

Um dos pontos que o CIRH alegava como razão para a retirada do evento ao nosso país era a ausência de garantias e cometimento do Governo.

Agora, Nicolau Manjate diz que para 2017, o Governo assumiu que o evento é do seu interesse e, por isso, garantiu todo o apoio.

- A nossa candidatura foi reforçada ou confortada pelo Governo de Moçambique, através do Ministério da Juventude e Desportos. Quando fizemos a candidatura para organizar o Mundial de 2017, anexamos uma carta de conforto para melhor legitimar o nosso pedido de organização, assim como para mostrar que o país está 100 por cento engajado no desenvolvimento do desporto no geral e, em particular, do hóquei em patins – começou por dizer o presidente da FMP.

- Após a apreciação da nossa candidatura por parte CIRH, assim como as razões apresentadas para o efeito, nomeadamente o facto de termos boas infra-estruturas, condições hoteleiras para alojar as equipas e a prova de capacidade organizativa que demos nos Jogos Africanos, o nosso país foi escolhido. Por outro lado, concorreu para a atribuição do Mundial de 2017 a Moçambique o facto de segundo os estatutos do CIRH, quando entre os candidatos que concorrem para a realização de um Campeonato do Mundo houver um país que ainda não o organizou o evento, dá-se uma primazia para esse país caso reúna as condições exigidas para o efeito – acrescentou o nosso interlocutor.

Para Nicolau Manjate, “Moçambique tem cinco anos pela frente para poder se organizar de modo a organizar bem o evento e evitar que lhe seja retirada a organização”.

-  Já estamos a trabalhar na preparação de um Plano Estratégico que nos levará até 2017, indicando quais os caminhos que deveremos seguir para chegarmos lá enquanto estamos no bom caminho. Estamos igualmente a começar a pensar na criação do Comité Organizador e na definição do orçamento para a prova. Todos esses dados serão apresentados ao Governo – acrescentou.

Instado a referir-se do que há de diferente e que nos garante que desta vez não seremos retirados a organização do Mundial de 2017, tal como aconteceu em 2011, Manjate disse que “a grande diferença que há entre está no espaço”.

- Se estivermos lembrados, nós fomos atribuídos a organização do Mundial de 2011 dois anos antes. Depois, há que considerar que ficamos com experiência para sabermos que não podemos voltar a cometer os mesmos erros que nos custaram a retirada da organização do Mundial de 2011. Por outro lado, de agora até 2017 temos muito tempo que nos permite aprimorar muitos aspectos e não cometer novos erros – garante.

 

MUNDIAL PARA MANTER

CHAMA DO HÓQUEI ACESA

Apesar do nosso país ter a quarta melhor selecção do mundo, certo é que internamente o hóquei em patins quase que não existe.

O país tem apenas quatro clubes que pouco investem na modalidade, os mesmos que só tem equipas seniores, mal apetrechadas em recursos humanos.

Trata-se do Ferroviário de Maputo, Desportivo de Maputo, Estrela Vermelha e Liga Muçulmana.

A modalidade só é praticada na capital do país, onde, mesmo assim, não há competições nos escalões de formação.

Toda esta realidade, preocupa os amantes da modalidade, ainda mais tendo em conta que, em 2017, o nosso país vai acolher o Campeonato do Mundo.

- Como é que Moçambique vai chegar a 2017 com uma boa equipa capaz de lutar com as melhores selecções do mundo tendo em conta que a cada ano que passa, internamente, o hóquei em patins não está a desenvolver?

- Os cinco anos que temos pela frente permitem-nos organizarmo-nos de modo a chegarmos a 2017 com uma selecção renovada e com os clubes, internamente, a terem os seus escalões de formação inclusive a funcionarem. Se continuar a nossa preocupação a formação de novos jogadores, a partir das equipas de base, então à altura da organização em casa do Mundial teremos uma equipa renovada. Por outro lado, mesmo antes de contarmos com a organização do Mundial de 2017, já era preocupação da FMP promover a formação a vários níveis, desde atletas, monitores e todos os agentes que trabalham no hóquei em patins.

- Como se resolve o problema de apesar da boa performance a nível internacional, internamente o hóquei em patins ter apenas quatro equipas de seniores, não ter competições nos escalões de formação e, agora, não ter inclusive um campo para se jogar?

- Nós concordamos que o hóquei em patins está a atravessar por dificuldades, mas é importante ressalvar o facto dessas dificuldades serem exclusivas a Moçambique. Temos ligações com federações congéneres na Europa que nos dizem que também estão a passar por dificuldades para o desenvolvimento da modalidade. E é por isso que julgamos ser importante manter a chama acesa. E a única forma de manter a chama acesa e comparticipar em todas as vertentes, desde a competição à formação. Isso serve de incentivo e de sustentabilidade da chama do hóquei em patins. Quanto as infra-estruturas, é importante reconhecer que nós temo-las, mas que por enquanto não estamos a usa-las. Quero acreditar que quanto antes voltaremos a jogar no pavilhão do Estrela Vermelha onde, em Maputo, foi desde há muito um local de prática de hóquei em patins.

 

Pedro Nunes continua na selecção

O treinador português Pedro Nunes, que dirigiu a Selecção Nacional rumo ao quarto lugar do último Campeonato do Mundo, que teve lugar em San Juan, vai manter-se à frente da equipa até, no mínimo, depois do próximo Mundial, que terá lugar em 2013, em Angola.

- É uma garantia que vamos continuar com Pedro Nunes, como seleccionador nacional. Chegamos a um consenso quer ao nível de dirigentes, atletas e treinadores que o seleccionador nacional tem estado a fazer um trabalho muito importante para a equipa. É uma pessoa de um bom relacionamento com todos os que estão à volta da Selecção Nacional e, por isso, optamos em mantê-lo no sentido de orientar a equipa até ao próximo Mundial – disse Nicolau Manjate que, antes do Mundial de Angola, diz que a Selecção Nacional tomará parte, no quadro da sua preparação, na Taça das Nações, a decorrer em Montreux, Suiça.

A prova reúne, anualmente, as oito melhores selecções do mundo numa prova que decorre há mais de 50 anos.

- Pelo quarto lugar que conquistamos em 2011, em San Juan, na Argentina, recebemos o convite para disputar a Taça das Nações, em Montreux, na Suiça. A participação na Taça das Nações será uma das etapas mais importantes da nossa preparação com vista ao Mundial de 2013, que, como se sabe, terá lugar em Angola. Finalmente, se tivermos os campos em condições, organizamos o Africano de clubes em Moçambique, também como etapa de preparação dos nossos atletas com vista ao Mundial – frisou.