Quando Semedo quer ser coerente

Ao assumir que a despromoção do Desportivo de Maputo do Moçambola foi obra de pessoas que o perseguiam, Semedo está a assumir as culpas da descida dos quase centenários  alvi-negros e seria de todo incoerente que depois da despromoção abalasse para paragens outras.

Lembro-me de ter defendido em algumas cavaqueiras que o mais sensato que devia acontecer depois da despromoção era que Semedo continuasse no clube e o devolvesse para onde o encontrou, pois se fizesse o contrário suportaria todos os adjectivos possíveis e imaginários, que não garanto que seriam desprovidos de pejo.

O mesmo deve-se dizer da direcção de Michel Grispos, que em algum momento deu a conhecer que se os sócios quisessem podia deixar o clube. Porquê agora? Os sócios têm que não querer que isso aconteça, pois a direcção, tal como Semedo, tem a sua responsabilidades no sucedido.

A direcção de Grispos tem muito que explicar aos sócios, e ainda bem que encontrou um grande estilo para começar a fazê-lo, ao anunciar que já há dinheiro para a construção do novo campo do Desportivo, o que até ajuda a esclarecer algumas zonas de penumbra.

Sendo assim, Semedo pode se dar por feliz por poder ser provavelmente o primeiro técnico a orientar o Desportivo no Moçambola num campo relvado, visto que, ao que se diz, renovou o contrato por duas temporadas, até 2014, altura em que se acredita que o clube estará de regresso ao Moçambola.

Espera-se, como já terei dito noutras ocasiões, que Semedo mostre aos seus detractores que não só tem sucesso quando treina grandes equipas, assim com o pode ter a partir da base, que neste caso seria mostrar serviço num clube de escalão secundário, devolvendo-o para onde os seus sócios pensam que nunca devia ter saído.

Condições para tal tem, Semedo, já que o Desportivo não vai perder muitos jogadores da sua espinha dorsal, em razão de a maioria ter assinado contratos duradoiros e por conseguinte ainda em vigor, podendo isso ajudar a abrir espaço para Semedo exponenciá-los, como gosta, e ir a cartilha buscar os melhores métodos para evidenciar a  treinabilidade dos mesmos.

Acreditamos que Semedo será capaz de motivar os jogadores para que não encarem o Provincial com desdém, com desprezo, atitude que seria fatal. O Desportivo tem que trabalhar muito para ser superior em todos os aspectos e demonstrar isso em campo.

Semedo tem que saber que os presumíveis inimigos que o perseguiram no Moçambola provavelmente não estão descansados e, quem sabe, podem pretender levar a perseguição até ao extremo, pelo que se o abateram no Moçambola usando determinada arma, no Provincial há terreno fértil para agirem, se calhar de forma mais macabra ainda.

Julgamos, para terminar, que a melhor arma de combater os inimigos de Semedo e por extensão do Desportivo não são as palavras, mas sim o trabalho. O trabalho deve falar por si. Provavelmente as palavras e o discurso de Semedo não têm o valor, a importância e a oportunidade que o dono as pretende dar, porque caso contrário o Desportivo não estaria onde está hoje.

Seja como for, desejo ao Semedo que continue a combater a mediocridade do nosso desporto e do futebol em particular, mas talvez mudando de estratégia, o que pode passar por buscar aliados que se identificam com a mesma causa. Porque uma luta sem aliados é uma concha vazia.

Boa sorte ao Desportivo e que regresse depressa, porque não há dúvida que faz falta a este futebol.