Polícia investiga morte de Chabana

Após o jogo de domingo (29 de Outubro), a equipa do Chibuto fez uma viagem para Maputo e hospedou-se na Vila Olímpica, onde, segundo o presidente do clube, Simão Cossa, Chabana pediu ao delegado um palito de fósforo. Quando Cossa retornou ao local, apanhou um susto pelo estado em que encontrou o jogador.

– Ele estava inanimado e apressou-se para a prestação de socorro, mas quando se estava no trajecto para o médico ele perdeu a vida, disse lamentando o presidente da colectividade gazense.

Questionado sobre a necessidade do palito de fósforo, Simão Cossa não conseguiu dizer exactamente o que o jogar pretendia, deixando suspeitas no ar, chegando a referir que o finado andava diferente em termos de comportamento em relação ao período em que conheceu o jogador.

– Há suspeitas de que ele consumia substâncias proibidas, mas não posso dizer se essa foi a causa da sua morte. Neste momento, a Polícia está a investigar o caso e nos próximos dias saberemos, de facto, o que terá provocado o incidente, que chocou todos nós, pois o Chabana era como um elemento da família para todos nós. Era muito acarinhado pelos apoiantes do Clube de Chibuto. Com ele conseguimos alcançar alguns êxitos durante este ano e, certamente, que faz parte da nossa história, uma vez que a situação ocorre no primeiro campeonato nacional em que participamos, lamentou Cossa, que acrescentou que durante a primeira volta do Moçambola estava a ter uma boa prestação, mas que baixara de rendimento na segunda volta, tanto que não era titularíssimo, como acontecera anteriormente.

- Quando não tínhamos dinheiro, todos os jogadores, incluindo ele, davam o litro. Quando o dinheiro apareceu, tudo mudou. Os jogadores baixaram de produção. Ultimamente, ele jogava com regularidade, rematou Cossa.

 

SONHAVA JOGAR NA EUROPA

 

Vindo da África do Sul, o futebolista ofereceu-se ao Chibuto em Dezembro passado, altura em que o clube já tinha garantido a sua participação no Moçambola-2012. A sua integração foi em Maputo, na altura em que a equipa fazia a pré-época. Chabana chegou a ser um dos esteios da equipa gazense, tendo contribuído para a melhor classificação (segunda posição), atrás do Ferroviário de Maputo, na altura líder da prova, e à frente do Maxaquene, que estava em terceiro lugar.

O trinco, mas também com características ofensivas, era um rapaz de 24 anos e, segundo alguns relatos, era muito querido no seio da equipa, acarinhado pelos adeptos gazenses. Já se expressava em português e já conseguia articular palavras para organizar risadas intermináveis pelo seu elevado senso de humor. Os seus melhores companheiros eram Johane, outro estrangeiro, e guarda-redes Baía, mas não virava a cara a ninguém, embora passasse algum tempo retraído no seu canto.

– Era muito divertido. Ele podia ficar um tempo só, mas sempre que se juntasse aos colegas criava um bom ambiente. Não me lembro de ter criado problemas a ninguém, revelou Rodrigo, colega de equipa e um dos guarda-redes da equipa agora orientada pelo português Victor Pontes.

Era talentoso e perspectiva um futuro risonho para si. Não se sabe absolutamente nada sobre o seu passado futebolistico, antes de representar o Chibuto, mas os colegas viam quase sempre que o seu futuro não passava pelo futebol moçambicano. O nosso país serviria de trampolim para um futebol mais evoluído

– Ele sempre dizia que o seu destino seria a Europa. Acreditava que o seu talento podia abrir portas para outro futebol. Nunca disse onde queria jogar exactamente, mas estava disposto a dar mais de si e um dia partir com destino ao profissionalismo, disse Rodrigo.

O ex-guarda-redes do Desportivo e Ferroviário de Maputo falou da possibilidade de Chabana ter sido vítima de uma paragem cardíaca, sobre o que só as investigações em curso poderão trazer dados verídicos.

O burundês Chabana, que se diz ter alguns parentes em Chimoio, Manica, é o segundo jogador do Moçambola que perde a vida este ano. O primeiro, em circunstâncias bem diferentes, foi o futebolista Filipe, que representava o Ferroviário da Beira, o qual morreu após prolongada doença.