O Special One crioulo

Em pouco menos de dois anos, o treinador passou de promessa à certeza no futebol crioulo, imprimiu um tipo de jogo capaz de impor respeito aos adversários e fez de Cabo Verde o primeiro no ranking dos PALOP, 10º na sua zona africana e 51º a nível mundial.

Nascido a 10 se Setembro de 1966, desde os seus tempos de estudante no Liceu Domingos Ramos, na cidade da Praia, que Lúcio Antunes cresce com o futebol nas veias. Como jogador, na Praia e na Ilha do Sal, foi um goleador natural, mas como treinador é mais conhecido pelas tácticas defensivas que lhe valeram alguns títulos na sua jovem carreira como técnico de futebol.

Normalmente, as suas equipas marcam poucos golos, em compensação também não sofrem muitos. E no jogo com os Camarões, último da campanha de qualificação, o mais importante nem era marcar, mas sim não sofrer uma diferença de três golos. Conseguiu arrancar na frente com um golo, mas o adversário deu a volta no resultado com dois golos marcados. Infelizmente para eles, foi muito pouco para evitar a realização do sonho crioulo do CAN-2013. 

CASO ESPECIAL

Lúcio Antunes é um caso especial no desporto cabo-verdiano por ter sido preparado e formado durante muitos anos para assumir o comando do combinado crioulo. Tornou-se adjunto do técnico português João de Deus, que dirigiu a selecção nacional na tentativa de qualificação para o CAN de Angola e o Mundial da África do Sul (2010). Por diversas vezes saiu para formar-se lá fora e quando o técnico luso deixou Cabo Verde, assumiu a Selecção Nacional.

A sua estreia como técnico principal da Selecção AA dá-se em Agosto de 2010 com uma derrota por um a zero frente ao Senegal, mas seu percurso é deveras muito positivo. Nada de estranhar para aquele que foi sempre apontado como um dos treinadores mais promissores destas ilhas na sua geração. 

JOGO DECISIVO

O jogo com os Camarões foi decisivo para fazer história, mas não é de agora que o técnico comanda os pupilos que representam a esperança do povo cabo-verdiano. Já em 2006, como treinador dos sub-21, conseguiu trazer a medalha de bronze nos Jogos da Lusofonia, realizados em Macau.

Entretanto, seu maior feito era a conquista do ouro nos Jogos de Lusofonia, realizados em Lisboa (2007), quando Cabo Verde enfrentou as selecções de Portugal, Angola, Moçambique e Índia. Ainda em 2007 consegue trazer a medalha de prata na XIX edição da Taça Amílcar Cabral, realizada na Guiné-Bissau, em que Lúcio Antunes comandou uma equipa só com jogadores residentes em Cabo Verde.

Na altura, sempre coadjuvado por Piki, técnico do Batuque de São Vicente, os Tubarões Azuis perderam por 2-1 contra o Mali, numa final com vários casos insólitos e estranhos que prejudicaram a selecção cabo-verdiana. E esta é uma das razões por que Cabo Verde deveria manter-se atento para evitar casos semelhantes no jogo em Yaoundé, contra Camarões.

Para os Camarões tratava-se de um jogo de vida ou de morte, e, sendo assim, todos os meios eram esperados para limpar a humilhação sofrida na Várzea. Até mesmo a Embaixada dos Estados Unidos da América em Yaoundé (Camarões), avisou os seus cidadãos para não assistirem ao jogo no estádio por receio de incidentes.

Independentemente das pressões que podiam existir, Lúcio mostrava confiança no plantel que foi construindo nas camadas jovens da Selecção. Com Ryan, Zé Luís, Heldon (Nhuk), Babanco, Válter, Sténio, entre outros mais experientes, construiu um grupo forte que joga de borla por Cabo Verde.

Depois de colocar a selecção no CAN, hoje nota-se que Lúcio foi uma aposta ganha da Federação Cabo-verdiana de Futebol porque o treinador do momento realizou a esta nação o sonho da primeira participação numa competição de top mundial.