Sadique não tem carácter

Gabito e Payó teriam feito chamadas telefónicas ao jogador Sadique para o subornar, de modo a que o Maxaquene, em vantagem na tabela classificativa, não se complicasse em Xinavane diante do Incomáti, com quem teria perdido para a Taça de Moçambique.

Para a tal acusação, o jogador “açucareiro”, que iniciou a temporada no Vilankulo FC, socorria-se das gravações de chamadas feitas para si pelos atletas “tricolores”, mas em nenhum momento chegou a ser publicada a referente a Arnaldo Salvado, o principal acusado.

Por diversas vezes tentámos falar com Sadique, elemento principal neste processo, até porque, segundo informações outras, o caso já tinha dado entrada ao Gabinete do Combate ao Crime e Corrupção (GCCC) para seguir os trâmites normais em situações idênticas, mas não nos foi possível ouvir o aludido jogador, por este estar a usar um outro número de celular.

 

INCOMÁTI DISTANCIA-SE

DA ACUSAÇÃO A SALVADO

 Não nos restava outra alternativa que não fosse continuar a seguir o caso e, depois das declarações de Arnaldo Salvado ao desafio, procurámos a direcção do Incomáti para se pronunciar, dado que no tal vídeo Figueiredo, vice-presidente, prometia analisar o caso e posteriormente tratá-lo conforme a gravidade ou não do mesmo, para depois dar informação à comunicação social sobre todos os aspectos do processo. desafio tomou conhecimento de que Sadique deixará de fazer parte do plantel, o que chegou a causar algum espanto. Figueiredo, abordado sobre o assunto, explicou as razões do tal afastamento.

– O Incomáti tinha um leque de jogadores indisciplinados, entre eles o senhor Sadique e decidimos expulsá-lo da equipa. Entre mantê-lo ou não na equipa, numa altura em que ainda era possível, matematicamente, conseguir a manutenção, preferimos expulsar o jogador porque, além de indisciplinado, ele não tem carácter. Cheguei, inclusive, a ter conversas acesas com ele e concluímos que não era uma pessoa para manter no grupo de trabalho, disse Figueiredo ao desafio.

Mais adiante, o dirigente do Incomáti disse à nossa Reportagem que o Incomáti não alinharia com a acusação ao técnico do Clube de Desportos da Maxaquene, Arnaldo Salvado, por esta estar despida de fundamentos.

– Na nossa análise, não existem provas contra ninguém e demos o caso por encerrado. O Incomáti distancia-se completamente de qualquer acusação a Arnaldo Salvado, feita pelo senhor Sadique. Não estamos por detrás deste assunto. Quem está a alimentar o Sadique neste caso que siga com ele. Não vamos alinhar em acusações sem fundamento. Não podemos responder pelos actos do senhor Sadique, referiu o dirigente dos “açucareiros”, despromovidos ao campeonato provincial.

 

RESCISÃO COM FLIN

FOI POR MÚTUO ACORDO

 O Incomáti trabalhou sem Euroflin da Graça nas últimas jornadas, facto que levantou alguma celeuma, e algumas pessoas chegaram a relacionar a saída do técnico da equipa com o caso Sadique, o que Figueiredo aclarou, afirmando que os objectivos para a sua contração não tinham sido alcançados e que naquele momento Flin não tinha condições para ter controlo sobre jogadores bastante indisciplinados.

– Os objectivos do Incomáti passavam por ter uma classificação entre o quinto e oitavo lugar. Por isso, contratámos o mister Flin, dando-lhe todas as condições, de acordo com as nossas possibilidades, mas depois da derrota em Nampula, contra o Ferroviário de Pemba, sentimos da parte dele que não tinha mais a fazer. O treinador vive de resultados. Em todo o mundo é assim. Quando os resultados não aparecem, o sacrificado é o treinador. Mas é importante dizer que sentámos, amigavelmente, e chegámos à conclusão de que tínhamos de rescindir. Portanto, é melhor que fique claro para todos que não houve divergências e o nosso relacionamento vai continuar a ser saudável, precisou Figueiredo.

Segundo o nosso interlocutor, os “açucareiros” vão preparar os alicerces para edificar o novo Incomáti a partir de 2013. A equipa deverá lutar para o acesso à Poule e consequentemente o regresso ao Moçambola em 2014, sem baixar as condições do grupo de trabalho.

– Ainda temos a consciência de que temos condições para estar no Moçambola e fazer um campeonato sossegado. A equipa que vamos formar em 2013 vai ser a mesma que deverá disputar o Moçambola-2014. Para o ano, vamos dar as mesmas condições aos jogadores e técnicos. Vamos tentar corrigir os erros cometidos no Moçambola deste ano para podermos ter uma equipa personalizada e bastante competitiva, afirmou bastante confiante o dirigente dos “açucareiros”.

 

 CONVERSAÇÕES ESTÃO EM CURSO

Zainadine Mulungo

deverá ser o técnico

 O Incomáti quer manter Zainadine Mulungo no comando técnico para a próxima temporada, com vista a alcançar os objectivos. A direcção da equipa de Xinavane está confiante que o técnico, que já conhece os cantos da casa, poderá desenvolver um bom trabalho, tendo em conta as experiências anteriores.

– Estamos em conversações com o mister Zainadine Mulungo para a renovação do contrato para a próxima época. Ele é a nossa primeira aposta e esperamos que ele aceite a nossa proposta. Aliás, ao que tudo indica, ele está disposto a continuar no Incomáti. Ele desenvolveu um bom trabalho em anos anteriores, em campeonatos provinciais, que culminou, por exemplo, com a subida do Ferroviário de Pemba, que infelizmente não teve uma boa prestação este ano.