Com sabor a pouco... muito pouco

O começo da partida nem se afigurou tão fácil para a Liga Muçulmana pois, mal o árbitro tswana apitou pela primeira vez, os malgaxes ocuparam o meio-campo defendido pelo conjunto moçambicano, aparentemente, numa altura em que ainda se entretinha tentando entender a estratégia do seu adversário. Com um jogo assente no colectivismo, o CNAPS Sports obrigou a Liga Muçulmana a submeter-se a um aturado trabalho defensivo, enquanto os malgaxes, sem precisarem de aplicar grande velocidade, faziam correr a bola de jogador para jogador, sempre rente à relva. E não surpreendeu que o primeiro remate do jogo, com algum perigo, tenha sido em direcção à baliza de Milagre, mas sem a devida pontaria e a bola a perder-se pela linha do fundo, o mesmo em relação ao primeiro pontapé de canto que foi executado pelo CNAPS, sem o aproveitamento desejado.

Só aos 10 minutos a Liga Muçulmana consegue sacudir a pressão e construir jogadas vistosas, com destaque para o remate de Liberty correspondendo ao centro de Sonito, mas ao lado.

Sérgio Faife (Litos esteve ausente, por suspensão pela CAF) foi bastante cauteloso na abordagem inicial da partida, optando por um 4x2x3x1, mas com algumas dificuldades na intermediária, pois Liberty e Momed Haji apareciam mais próximos dos homens da defesa do que propriamente em auxílio a Sonito, o único homem que estava destacado para fazer face aos centrais contrários, nomeadamente Tamiana e Feno. Se, do lado direito, a coordenação entre Kito e Nando (o primeiro nas costas do segundo) era plausível, o mesmo já não se pode dizer do lado esquerdo, com Muandro, mais adiantado do que Eusébio, a apresentar muitas dificuldades nas compensações, sempre que o seu colega do corredor partisse para missões ofensivas.

Esta postura resultou em preferência pelo lado direito do ataque malgaxe para as investidas ofensivas, com Sina a semear pânico no reduto mais recuado da turma moçambicana.

Contrapondo com um 4x5x1, numa clara atitude de procurar sofrer menos na zona defensiva, controlando o adversário a partir do meio-campo, o jogo do CNAPS fluía com alguma facilidade, dado o grande poder de desmarcação dos seus jogadores. E aos 12 minutos surge mais uma situação de “calafrios” na baliza de Milagre, quando o capitão Nono, que até joga com a camisola 9, rematou com muito perigo, mas sem conseguir dar direcção certa à bola.

Os “muçulmanos” conseguem, finalmente, chegar ao equilíbrio e criar algum pavor nas hostes malgaxes, que se viram forçados a remeter-se à sua condição de forasteiros e não poderem mandar em casa alheia. Foi por estas alturas que surge o primeiro golo do jogo e da eliminatória.

A Liga Muçulmana, numa jogada ofensiva, ganha um pontapé de canto, encarregando-se Muandro de fazer a devida cobrança. O esquerdino fez a bola sobrevoar a área até à cabeça de Sonito, que fez o desvio certeiro para o fundo da baliza, pressagiando um eventual arranque para um resultado confortável. É que, a seguir a este golo, os “muçulmanos” passaram a controlar o jogo, mesmo sem conseguir domar, por completo, o conjunto insular que, com muita irreverência, soube reagir a este golo, com o treinador a mexer na equipa, reforçando a intermediária, mas não abandonando o 4x5x1, que permitiria que a sua defensiva não fosse fustigada por “muçulmanos”.

Faife também mexe na sua equipa quando estavam decorridos 30 minutos, trocando Imo por Avelino, passando a jogar num 4x4x2 para aproveitar traduzir em golos o caudal ofensivo que o conjunto moçambicano começava a produzir. E aos 39 minutos, respondendo a mais uma jogada de ataque da Liga Muçulmana, Sonito, de fora da área de grande penalidade, enche o pé, mas vê a bola passar ligeiramente por cima do travessão.

INOVAÇÕES DE

PARTE A PARTE

Cinco minutos depois, é a vez do CNAPS responder, através de Jimmy, mas vê o seu remate não levar a direcção certa e a bola passa ao lado da baliza.

Para o segundo tempo, a Liga Muçulmana volta com três pontas-de-lança, com a entrada de Jerry para se juntar a Sonito e Avelino. Entretanto, o contributo do número 20 “muçulmano” não é de todo feliz, aparecendo com menos frequência na zona onde devia. Os campeões nacionais entram em sub-rendimento, abrindo-se espaço para mais uma demonstração de irreverência da turma insular.

A Liga reconhece dificuldades para ampliar a vantagem no marcador, porque os malgaxes entram em momento de procurar evitar sofrer mais golos, apostando em jogadas de contra-ataque para, eventualmente, chegar ao empate, que seria bastante precioso para as suas contas. O jogo é que sai a perder, pois entra-se numa monotonia de provocar sono. Mesmo assim, é a Liga que perde uma oportunidade de chegar ao segundo golo, quando, aos 75 minutos, Nando faz um belíssimo centro para Avelino e Jerry se atrapalharem e levarem a bola a perder-se pela linha do fundo.

O representante moçambicano na caminhada para a Liga dos Campeões Africanos entra em crise de ansiedade, com os seus dianteiros a perderem a noção de pontaria. Aos 84 minutos, Momed Haji podia ter feito o segundo golo, mas não acerta nas medidas, levando a bola para cima da barra. O mesmo Haji, aos 85 minutos, tem um cabeceamento, mas ao lado da baliza do malgaxe Leda.

ARBITRAGEM

Quem “viu” o árbitro?

Seria tamanha injustiça acusar o árbitro Joannes Lekgotla e seus pares, todos provenientes do Botswana, de um eventual mau trabalho. Deixou os artistas libertarem o seu talento, fazendo questão de respeitar a lei de vantagem. Não ficou registo de nenhum apupo vindo das bancadas, facto bastante raro nos estádios de futebol, até mesmo ao nível do globo. Do lado moçambicano, Momed Haji e Sonito viram cartolina amarela, com muita justiça para o segundo que, vezes sem conta, pautou por algum antijogo. São estas arbitragens que se recomendam. E a pergunta que se faz é: alguém “viu” árbitro tswana em campo?

OK: Sérgio Faife

Desconhecendo o seu adversário, o treinador da Liga Muçulmana, mesmo jogando no seu terreno, não pretendeu entrar em aventuras ofensivas, optando por uma equipa cautelosa. Pode ser que a reacção tenha chegado tardiamente mas, se o que importava era não perder em casa, pelo menos consegue levar uma vitória ao inferno insular de Antananarivo. Ok, Faife.

KO: Tity Rasoanaivo

O técnico malgaxe ao serviço do CNAPS Sports até teve uma abordagem excelente nos instantes iniciais do jogo, apresentando uma equipa expelida e com um poder de criatividade de fazer inveja. No entanto, teve dificuldade de manter os mesmos índices exbicionais durante quase todo o jogo, cedendo às imposições ofensivas do seu adversário, facto que lhe custou bastante caro. Resultado: um KO, com o golo sofrido a ter de ser compensado no final desta semana, em Madagáscar, se for possível, claro!

Não estivemos bem

Não estivemos muito bem no jogo, pois não conseguimos fazer nem a metade daquilo que nós valemos e acabámos saindo daqui com o resultado bastante magro. Se tivéssemos feito mais e melhor, sinceramente que sairíamos daqui com um resultado que nos tranquilizasse ainda muito mais para o jogo da segunda mão, em Madagáscar. Mas este jogo já passou e pertence ao passado. O            que temos de fazer é continuar a trabalhar e marcarmos mais golos fora de portas. 

CNAPS Sports não falou

A Imprensa moçambicana fez-se em peso ao espaço destinado às conferências de Imprensa, mas nenhum elemento ligado ao CNAPS se dignou fazer-se ao local. Todas as tentativas foram feitas, incluindo a deslocação ao respectivo balneário, mas debalde. Esperamos que em Antananarivo haja cortesia.

Campo da Liga Muçulmana

Assistência: cerca de 4000 espectadores

Árbitro: Joannes Lekgotla, auxiliado por Medupi Meshack e Simankalele Bakwena. Quarto árbitro: Mosi Twane Tirelo (Todos do Botswana)

Comissário da CAF: Wilfred Mukuma, do Zimbabwe

Acção disciplinar: cartão amarelo para Sonito, Momed Haji (Liga) e Ronack (CNAPS Sport)

Golo: 1-0 (Sonito, aos 14’)

Liga Muçulmana, 1

Milagre

Kito

Aguiar

Gildo

Eusébio

Momed Haji

Nando

Muandro (45’)

Liberty (61’)

Imo (3o’)

Sonito

Suplentes utilizados

Avelino (30’)

Jerry (45’)

Zé Luís (61’)

Suplentes não utilizados

Joaquim

Mustafá

Bheu

Daúdo

Treinador: Sérgio Faife Matsolo

CNAPS Sports, 0

Leda

Beysé

Tamiana

Feno

Ronack

H. Tojoh (22’)

K. Tojoh

Sina (45’)

Jimmy (55’)

Nia

Nono

Suplentes utilizados

Ando (22’)

Eric (45’)

Rado (55’)

Suplentes não utilizados

Anatoce

Mika

Pierralit

reinador: Tity Rasoanaivo

César Langa

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Fotos de Domingos Elias