Esta equipa surpreende-me

Depois de 11 dias de estágio na África do Sul, o Maxaquene voltou ao solo pátrio para dar continuidade ao trabalho do início da temporada, começando pelo jogo de apresentação do seu plantel, defrontando e derrotando o Desportivo por 2-0, no Estádio Nacional do Zimpeto.

Tendo em conta a fase em que os trabalhos se encontram, Chiquinho Conde, treinador da equipa, diz ter sido boa a reacção da equipa, porque não cria que, naquele dia, pudessem estar no seu melhor, em razão de terem ficado perto de duas semanas longe das respectivas famílias e com um dia de folga, logo à sua chegada a Maputo.

– Os meus jogadores deram uma mostra daquilo que são capazes de fazer. Esta equipa surpreende-me pela positiva, fundamentalmente pela interacção que eu tenho com os jogadores e pela liberdade que lhes dou para interagirem entre eles. As 12 substituições que fiz no jogo com o Desportivo e a mudança do sistema táctico a seguir ao intervalo, para o 2x3x5x2, trouxeram algumas dificuldades nos primeiros 15 minutos da segunda parte, mas a equipa voltou a encontrar-se, porque está mais habituada a jogar no 4x2x3x1. A equipa ressentiu-se um pouco, em termos de posicionamento, mas acho que foi um bom treino e bom ensaio, para aquilo que pretendemos futuramente. Devo, igualmente, agradecer ao Desportivo, que tem uma belíssima equipa, muito bem treinada, pela sua receptividade, para se tornar possível este jogo, disse o técnico “tricolor”, salientando ter-se notado alguma dose de ansiedade da parte de alguns dos seus pupilos, pois parte deles nunca antes se havia exibido com a camisola do Maxaquene, diante do seu exigente público.

Das duas variantes, em termos de posicionamento táctico, para Chiquinho Conde, o 4x2x3x1 foi o melhor interpretado pelos seus jogadores, sendo uma linha de quatro defesas, dois médios mais defensivos, uma linha de três avançados e um ponta-de-lança mais móvel. Para esta última linha, caberá a Maurício, Romão e Isac, cada um na sua vez, fazer a movimentação que o técnico pretende.

– Mas o 2x3x5x2 é altamente defensivo, mas ao mesmo tempo altamente ofensivo, se nós conseguirmos interpretar bem, pois tem a ver com a mobilidade dos jogadores e ocupação de espaços.

Contrariando o seu discurso em relação aos jogos de controlo que o Maxaquene realizou durante o estágio na África do Sul, dizendo que pouco se importava com os resultados, agora a abordagem é diferente.

– Com o Desportivo e com outras equipas moçambicanas, os resultados importam sempre. A fase de os resultados não importarem ficou para trás. A partir de agora, temos de incentivar os jogadores para perceberem que ganhar é bom, nem quem seja em jogos “a feijões”. Não devemos pensar, nunca, em perder. E com o Desportivo, na qualidade de nosso arqui-rival, o sabor de uma vitória é sempre especial, independentemente da natureza e finalidade do jogo, congratula-se Chiquinho Conde.   

A peculiaridade de Chiquinho Conde é de trabalhar as suas equipas de trás para a frente, porque entende que do meio-campo para a frente os jogadores soltam aquilo que aprenderam nos bairros e nas escolas. É a zona da criatividade.

– É preciso trabalhar-se muito na defesa, porque a transição ataque-defesa é a mais difícil, porque tem de se jogar sem bola. Preocupo-me muito em que os meus jogadores saibam posicionar-se, principalmente no nosso último terço defensivo e é isto que tenho estado a privilegiar, sem deixar de trabalhar os aspectos ofensivos, explica a nossa fonte.

Ao longo da semana passada, Conde procurou sistematizar aquilo que se fez na África do Sul e abordar outras situações que não haviam sido trabalhadas no país vizinho, dado o facto de o futebol não ser nada mais, nada menos que um gesto repetitivo. E este trabalho foi feito em sessões bidiárias, para uma rápida recuperação, em razão da acumulação de muito ácido láctico, durante o estágio na “Terra do Rand”.

– Se nós conseguirmos repetir vezes sem conta, podemos conseguir aquilo que é o aperfeiçoamento das coisas. Nós queremos o optimismo. E se o Moçambola começasse amanhã, eu diria que estamos prontos para lutar e ganhar. Não temos estrelas como Mexer, Zainadine Jr., Jerry, Sonito, Campira, mas temos uma equipa que compensa. Ou seja, a nossa estrela é a equipa toda, graceja o treinador “tricolor”.

Muito feliz com o apetrechamento do meio-campo, Chiquinho Conde diz que os sectores onde o Maxaquene ainda precisa de mais alguns reforços são o defensivo e ofensivo.

TÊXTIL DO PÚNGUÈ AINDA EM BUSCA DE FINACIAMENTO

“Fabris” apresentam-se

publicamente esta semana

O Têxtil do Púnguè continuou, ao longo da semana passada, a fazer a sua preparação nos recintos disponíveis, que são os campos do Matadouro, em Inhamizua, e S. Benedito, em Chingussura, no bairro da Manga. De acordo com o presidente do clube, Mahomed Ekibal, os trabalhos têm estado a correr muito bem, numa altura em que a triagem já terminou e começou o processo de definição do plantel, com a apresentação pública projectada para esta semana.

Condicionalismos de campo não permitem ainda traçar-se o perfil da cerimónia que se deseja, uma vez que os recintos possíveis (relvados do Ferroviário da Baixa e da Manga) estão ainda em reabilitação, de forma a acolher os jogos das Afrotaças (na Baixa) e outros do Moçambola (nos dois campos).

Como alternativa, e para dar mais consistência ao trabalho que se vem fazendo desde a “abertura das oficinas”, o conjunto agora liderado tecnicamente por Atónio Sábado poderá fazer um périplo pelo corredor de Sofala, durante duas semanas, fazendo jogos de ensaio no Dondo, Nhamatanda, Gondola, Chimoio, até Manica.

Em termos do conjunto que se prepara para lutar pela ocupação de um dos oito primeiros lugares, tudo indica que a equipa está quase encontrada, faltando apenas a chegada de um guarda-redes, ido de Maputo, para alargar o leque de opções do treinador.

A reacção dos jogadores é considerada extremamente positiva, facto que se torna bastante fácil por o treinador ser um filho que apenas regressa a casa e, por conseguinte, conhecedor do historial do clube.

Porque não existe bela sem senão, a direcção do Têxtil do Púnguè está a braços com uma grave crise financeira, não se tendo vislumbrado, ainda, a possibilidade de arrecadar os cerca de nove milhões de meticais que constituem o orçamento para a vida da colectividade ao longo deste ano. O empresariado provincial de Sofala ainda não se pronunciou em resposta às solicitações feitas no sentido de dar o seu contributo. Da massa associativa, nada se pode esperar, pois o que os “fabris” têm de mais são apenas simpatizantes.

César Langa

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Fotos de Domingos Elias