O mel que (não) há na FMF

Estes são para mim, candidatos naturais da gestão da coisa futebolística, entendo o seu passado e percurso na área do desporto-rei, como poderão ser outras individualidades que merecem crédito em termos de gestão desportiva, sobretudo.  

Também foi, no caso do lado doméstico, o finado Mário Esteves Coluna, na Federação Moçambicana de Futebol, de que se pensou, pela sua postura e reconhecimento mundial pelos seus préstimos trouxesse profundas mudanças no país que o viu nascer. Diga-se, debalde. Coluna terá tentado conferir estrutura, com fortes alicerces, mas nunca pareceu estar bem acompanhado.

No fim do mandato de Feizal Sidat, um presidente híper contestado, ficou-se a saber que o saldo que deixa é um património avaliado 11.800.000 USD, além de um saldo bancário de 11.498.767 meticais, tendo a receber 10.600.000 meticais. Enfim, o homem, apesar de nos dois mandatos, os resultados desportivos não terem sido por ai além, sai limpo em termos financeiros.

Facto inédito.

Há uma grande vontade de ver o futebol moçambicano trilhar por um novo caminho com a condução para presidente da FMF, de Alberto Simango Júnior, pela experiência que adquirida na organização do Moçambola, naquelas que, apesar da pouca-vergonha protagonizada por Filipe Budula (presidente da Associação de Futebol da Cidade de Maputo) ao apresentar-se ao escrutínio sem documentos, são consideradas as melhores eleições de sempre, com quatro candidatos de peso, na qual concorreram individualidades de reconhecida categoria em várias áreas de actividade.

Deste sempre, de vários quadrantes, discutia-se e questionava-se sobre o interesse desses todos os candidatos no futebol e no seu desenvolvimento. Algumas vozes faziam ecoar o teor maldizente, falando da possibilidade da existência de algo mais aliciante além do melhoramento do futebol.

Percebi, por exemplo, que o questionamento sobre o interesse de tão ilustres figuras às eleições tinha em conta a natureza das suas actividades ou das suas inclinações no desenvolvimento do país. Entendi que Moçambique, cada vez mais, tem um défice de referências para conduzir os destinos desportivos ou da sua gestão. Aquelas figuras reconhecidas pelos seus feitos, como praticantes, no caso vertente, ou são limitadas para dar seguimento a vontade de melhorar a estrutura do futebol, ou têm as suas imagens demasiadamente queimadas, sem me permitem o termo.

Portanto, não será tão cedo que Moçambique venha a ter uma figura que se aproxime à pessoa do inquestionável Mário Esteves Coluna, que podia e bem exercer outros cargos no seu Sport Lisboa e Benfica. Portanto, os do desporto que não se queixem pelos surgimento de individualidades sem um grande passado desportivo, a apaixonarem-se pela gestão desportiva, que como se sabe, tornou-se uma grande indústria e que não está ao nível de qualquer um dar seguimento.

É este exemplo que as eleições que eu gostaria de ver nos nossos clubes, quando se tratar de concorrência à presidência. Uma vez que o que assistimos é simplesmente a indicação desde ou daquele para dirigente, muitas vezes por afinidade com a empresa onde a colectividade estiver integrada, com todos os riscos que isso acarreta.

Receio que no Grupo Desportivo de Desportivo, por exemplo, não obstante as grandes referências que abundam pelo país, pela aparente falta de mel, não venha a existir a possibilidade de se ter uma grande afluência nas próximas eleições. Por isso, não admirem que, apesar de tudo o se tem dito do actual presidente, ele continue de pedra e cal por muitos e longos anos.

Por hoje, nada mais direi.