Aperto do calendário ou gestão de plantéis?

Está ainda longe o momento em que os gestores do futebol de Moçambique e os clubes estarão em harmonia, navegando no mesmo barco e para a mesma direcção. Num passado bem recente, era comum ouvir acusações vindas por tudo quanto é lado encostando à parede a Liga Moçambicana de Futebol e, por tabela, a Federação Moçambicana de Futebol, por lhes proporcionarem pouco tempo de jogos e, por via disso, obrigando os clubes a pagar salários a trabalhadores (entenda-se jogadores) sem nada terem feito.

As interrupções para dar lugar aos jogos da Selecção Nacional de Futebol, ora para o cumprimento das jornadas das competições sob a égide da FIFA ou da CAF, ora para jogos nas datas-FIFA, eram o cavalo de batalha, porém sem se apresentarem alternativas para esta situação que colocava os fazedores da modalidade-rainha em rota de colisão.

Na última edição da sua gestão, na Liga Moçambicana de Futebol, Alberto Simango Jr. deixou um legado que é a Taça da Liga BNI, consolidada e calendarizada noutros moldes por Ananias Couana, como forma de conferir mais jogos às equipas do Moçambola. Estas duas competições (Moçambola e Taça da Liga BNI), geridas pela LMF, juntam-se a outras duas, nomeadamente a Taça de Moçambique, gerida pela FMF, e as Afrotaças, sob a gestão da CAF.

É a materialização do calendário que inclui estas quatro competições que divide opiniões e abre espaço para a troca de acusações. Rui Évora, treinador do Costa do Sol, foi um dos primeiros a vir a terreiro depois que jogou a 20 de Julho, em Chimoio, com o Textáfrica, para os quartos-de-final da Taça de Moçambique, e de seguida, em Maputo, no dia 23 do mesmo mês, com o Desportivo, para o Moçambola, numa altura em que estava de malas aviadas para Vilankulo, onde iria defrontar o ENH no dia 27 de Julho, para a 18.ª jornada do Campeonato Nacional.

Artur Semedo, que no dia 20 de Julho foi à Beira empatar com o Ferroviário local, em jogo dos quartos-de-final da Taça de Moçambique, também alinhou pelo mesmo diapasão, pois no dia 23 de Julho teve de ir jogar ao Niassa, com o Desportivo de Lichinga, e dia 27 recebeu o 1.º de Maio de Quelimane.

Chiquinho Conde, que na altura beneficiou da desistência da Academia Militar de Nampula e, por via disso, o Maxaquene não jogou os “quartos”, não se pronunciou.