Coluna no onze do século

A Gala das Quinas de Ouro, que se destinou a assinalar o centenário do organismo que rege o futebol português, realizou-se no Casino Estoril. O Monstro Sagrado foi distinguido na categoria do onze do século e do onze histórico, e viu reconhecida a selecção que representou no Mundial de 1966 e que ficou em terceiro lugar, a melhor classificação de Portugal em todos os tempos.

Na cerimónia foram igualmente distinguidos seis jogadores moçambicanos em categorias seculares. Carlos Queiroz (ex-selecionador de Portugal) foi distinguido na categoria Quinas de honra. Por seu turno, moçambicanos fazem parte da categoria do Onze histórico do século, a saber: Eusébio, Coluna, Matateu, Vicente e Hilário.

Onze do século: Vítor Baía, Fernando Couto, Germano, Humberto Coelho, Ricardo Carvalho, Coluna, Figo, Rui Costa, Cristiano Ronaldo, Eusébio e Futre.
Onze histórico: Costa Pereira, Germano, Hilário, Vicente, Virgílio, Coluna, Simões, Travassos, Eusébio, Matateu e Peyroteo.
Selecção do século: Selecção AA - Mundial 1966 (Coluna eracapitão).
UM CAPITÃO A TODOS NÍVEIS

Quando Eusébio chegou a Lisboa, trazia uma carta de recomendação da mãe para ser entregue a Mário Coluna, para que este olhasse pelo jovem que ia para o Benfica, onde o "Monstro Sagrado", sete anos mais velho, já era a grande referência. 

As duas maiores figuras do futebol nascidas em Moçambique encontravam-se, finalmente, no mesmo clube, nesse ano de 1960, e preparavam-se para protagonizar juntos os melhores momentos da história do Benfica - a fabulosa década de 60 - e comandar Portugal na campanha do Mundial de 1966, coroada com o terceiro lugar, em Inglaterra.

Quando Eusébio chegou, Mário Coluna já tinha oito épocas no Benfica e quatro títulos de campeão, sendo elemento fulcral na quebra da hegemonia do Sporting no futebol lusitano, com o clube da águia a equilibrar cada vez mais a “luta” entre os “eternos rivais”.

“Capitão”, “Monstro Sagrado”, ou simplesmente “Senhor Coluna”, a forma como Eusébio insistia em chamá-lo, foram as alcunhas que foi granjeando ao longo das 16 épocas com as cores do Benfica. No final, em 1970, deixava o seu clube como “número um” indiscutível em Portugal e mesmo como um dos grandes da Europa.

Aos 34 anos, fechou a sua última época na Luz (1969-1970) com um jogo de despedida contra uma selecção de grandes jogadores vindos do estrangeiro - como Cruyff, Bobby Moore ou LuisSuarez. O Benfica deixava-o partir e não exercia o “direito de opção”, permitindo-lhe mais uma época em França, muito bem paga, ao serviço do Olympique Lyon. 

A despedida da selecção já tinha acontecido dois anos antes, em 1968. Desde uma estreia em 1955, foram 13 anos com a camisola das “quinas” e 57 jogos.

Foi curta a experiência em França - os anos já começavam a “pesar” e as saudades eram grandes - e, de regresso a Portugal, tentou uma carreira de treinador, mas sem sucesso. Primeiro, os jovens do Benfica, depois o Estrela de Portalegre e ainda o Benfica de Huambo (Angola), onde estava aquando do 25 de Abril.

Depois da independência de Moçambique, pouco hesitou em dizer sim ao convite de Samora Machel e regressou. Tinha um lugar de deputado prometido e depois viria mesmo a ser o presidente da Federação Moçambicana de Futebol, em dois mandatos, assistindo ao “agigantar” dos “Mambas”.