Desafio 1987- 2014: 27 anos de vitalidade

Amanhã, terça-feira, 24 de Junho, o semanário “Desafio” completa 27 anos da sua criação, a 24 de Junho de 1987, como uma singela contribuição da Sociedade do Notícias, SA para o brilho das festividades do 12.º aniversário da Independência Nacional que então se assinalava no dia seguinte. 27 anos depois, compete ao leitor julgar se valeu a pena ou não pensar-se na criação desta publicação para preencher um vazio que se fazia sentir na informação moçambicana: a de um órgão virado exclusivamente para a cobertura de assuntos desportivos nacionais e internacionais.

Nós lembramo-nos. Assim tudo começou:

Nos finais de 1986, a Sociedade do Notícias, SA, então proprietária dos jornais “Notícias” e “Domingo”, registava no seu “stock” grande quantidade de papel, que, na altura, o país recebia sob forma de donativo dos países amigos de Moçambique.

José Luís Cabaço, então ministro da Informação, abordou José Catorze, então director-geral da Sociedade do Notícias, SA, sobre a probabilidade de a empresa lançar mais uma publicação, desta feita virada exclusivamente para a cobertura de assuntos desportivos.   

Nos primeiros anos de 1987, a ideia da criação de um semanário desportivo já fervilhava na empresa e foram dados, imediatamente, passos significativos para a sua concretização.

SECÇÃO DESPORTIVA DO NOTÍCIAS PARTIDA AO MEIO

O quadro redactorial do jornal “Notícias” afecto à secção desportiva, constituído por Jorge Matine (chefe), Renato Caldeira, Albuquerque Freire (já falecido), Alexandre Zandamela e Boavida Funjua, foi partido ao meio.

Renato Caldeira, Alexandre Zandamela, Boavida Funjua e o fotojornalista Domingos Elias eram indicados para constituir a equipa editorial do futuro jornal, tendo a direcção da empresa nomeado, inicialmente, Renato Caldeira como chefe da Redacção.

A ideia era fazer coincidir, tanto quanto possível, o lançamento da nova publicação com os festejos do 12.º aniversário da proclamação da Independência Nacional, que, nesse ano de 1987, se assinalava no país.

Que nome dar ao jornal? Quantas páginas teria? Quais as cores que seriam dominantes para se fugir do vermelho que já era utilizado pelo “Notícias” e “Domingo”? Quais os assuntos que iria abordar? Qual seria a sua política editorial? Estes eram os assuntos que deviam ser estudados meticulosamente a fim de não se defraudarem as expectativas então criadas.

UM CONCURSO PÚBLICO PARA ESCOLHER O NOME

Para encontrar o nome da publicação, optou-se por um concurso público, com direito a prémio para o vencedor. Nesse concurso, choveram nomes como “O Jogo”, “A Bola”, “Magazine de Desportos”, “Chingufo”, “Desafio”, “Campeão” e tantos outros que, por absoluta exiguidade de espaço, não nos é possível publicá-los todos.

Foram mesmo centenas e centenas de envelopes enviados pelos leitores a propor o nome da futura publicação. Foi feita uma primeira triagem para eliminar aqueles nomes que já existiam no mercado e depois se proceder a um sorteio puro, tendo saído vencedor o nome “Desafio”, curiosamente escolhido por uma mulher.

TRÊS JORNALISTAS E UM REPÓRTER FOTOGRÁFICO

A equipa redactorial então escolhida para dar o arranque do jornal trabalhava incansavelmente no “layout”, nos assuntos editoriais que o jornal devia abordar com profundidade, fazendo desta publicação uma verdadeira fábrica de ideias, um local de debate, questionamento, de crítica e exaltação do fenómeno desportivo que se pretendia fosse descomprometido com clubismos doentios, com a falsificação da verdade desportiva e que no plano interno e internacional prestigiasse a República de Moçambique.

Às 15.45 horas do dia 24 de Junho – quarta-feira –, com as redondezas do  edifício-sede do “Notícias” repleto de gente, entre ardinas e desejosos de comprar a primeira publicação, a velha rotativa do “Notícias”, era o tempo da linotype, do chumbo e das gravuras em chapa de zinco, deu a primeira volta que consumava o “parto” do semanário “Desafio”, e às 16.15 horas desse mesmo dia o primeiro ardina a sair com um lote de jornais era “assaltado” pelo público que já aguardava, nas imediações das instalações da sede do “Notícias”, paciente e sequiosamente, pela saída do jornal.

A nossa capa era preenchida, como assunto de fundo, pela transferência de Chiquinho Conde para o futebol profissional português, mais concretamente para o Belenenses. A última página contava a primeira história daquela que viria a ser a primeira campeã olímpica de Moçambique e recordista africana e vencedora de muitas provas africanas, europeias e mundiais, a Lurdes Mutola.

VALORIZAR O DESPORTO NACIONAL

Nessa primeira edição, o então director-geral do“Notícias”, José Catorze, escrevia em jeito de editorial:

Um novo jornal moçambicano inicia hoje a sua publicação. É o primeiro jornal desportivo criado desde a Independência Nacional e vem preencher uma lacuna que se fazia sentir na informação: a de um órgão totalmente virado para a cobertura da actividade desportiva nacional e internacional.

O novo jornal terá como prioridade a valorização do desporto nacional um desporto que se pretende de massas, com um alto nível competitivo, isento de clubismos doentios, um desporto que enriquece o homem moçambicano e que prestigie a República de Moçambique no exterior.

Lutaremos, no geral, por um desporto são, factor de desenvolvimento físico e espiritual do homem, elemento positivo na formação da nossa juventude, instrumento de consolidação e reforço da unidade nacional. Instrumento também de paz, de amizade e de competição entre os povos.

Surgindo num meio desportivo ainda dominado, em muitos casos, por interesses mesquinhos, rivalidades pessoais, intrigas e grupismos, o nosso jornal afirma-se, desde já, como independente de quaisquer grupos ou clubes e reivindica o direito de denunciar aqueles males onde quer que os detecte. 

O “Desafio” ganhou rapidamente os seus leitores, o seu mercado e passou a ser uma referência quase que obrigatória nos clubes, nos atletas, dirigentes desportivos, sócios e simpatizantes da actividade desportiva, chegando a empresa a ter uma tiragem de 35.000 jornais semanalmente!!!

Mas a história deste jornal não é apenas de triunfalismos. Em 1994, com a marcha do Programa de Reabilitação Económica, a empresa teve de passar a suportar sozinha o preço do papel e de outros consumíveis, e os custos operacionais do “Desafio”,sem muita publicidade, eram onerosos, tendo a empresa tomado a decisão de adjudicar a exploração do jornal a uma empresa privada.

EXPLORAÇÃO ADJUDICADA À MOZSPORT

Assim, no dia 24 de Junho de 1994, foi assinado um contrato de cessão de exploração entre a Sociedade do Notícias, SARL e a MOZSPORT, Lda. (Moçambique Desportos, Lda.).

A nova empresa prometia reeditar o jornal e arrancou com um capital de 260 milhões de meticais da antiga família, sendo que o então BPD (Banco Popular de Desenvolvimento), hoje Barclays, detinha 40 por cento do capital inicial e os empresários Francisco Armando Cossa e Marcelino Macome 30 por cento cada um.

Era igualmente anunciado que o novo jornal sairia com 16 páginas, duas vezes por semana, às segundas e sextas-feiras.

Esta decisão implicou o encerramento do “Desafio” por um período de mais de um ano e alguns meses para efeitos de reorganização e modernização, uma vez que os novos “patrões” queriam que a produção do jornal fosse modernizada e fossem introduzidos os ventos da informatização que já haviam chegado ao país.

De facto, fomos a primeira redacção totalmente informatizada na Sociedade do Notícias, SA, quando voltámos a sair à rua.

UMA GESTÃO RUINOSA E QUASE A CAMINHO DA FALÊNCIA

A Mozsport, Lda., então concessionária do “Desafio”, apesar de ter herdado todo o quadro editorial que era da Sociedade do Notícias, SA, instalações e outras facilidades, acabou por ter graves problemas de gestão da publicação, que se reflectiam no não cumprimento das suas obrigações para com terceiros, e os salários dos trabalhadores mensalmente estavam tremidos.

Esta situação fez com que grande parte do seu quadro redactorial deixasse o jornal e fosse alistar-se numa nova publicação que então nascia, também, eminentemente desportivo, o semanário “Campeão”.

NOTÍCIAS” RETOMA A PUBLICAÇÃO

Para além de uma gestão ruinosa, O “Desafio” viria a sofrer uma grande sangria no seu quadro editorial a favor do semanário “Campeão” e de outras publicações.

A situação acima citada foi gerida em banho-maria entre a Sociedade do Notícias e a Mozsport, Lda., até que se chegou a uma situação insustentável onde se colocavam duas hipóteses:

– decretar a falência da Mozsport e consequentemente do jornal; ou

– a Sociedade do Notícias reaver a publicação e os quadros da área editorial e voltar a geri-la.

Prevaleceu a segunda opção. A Sociedade do Notícias, SA reaveu o jornal e os seus trabalhadores e rapidamente foram dados passos significativos para a sua reorganização e para lutar no mercado de forma competitiva e comparativa pela sua reafirmação perante a concorrência que lhe era movida pelo semanário “Campeão”.

Foram anos difíceis mas, com uma equipa liderada por Almiro Santos e alguns jovens que foram recrutados, o jornal voltava a estabilizar-se em termos de vendas, de número de leitores, e com um grande suporte da Sociedade do Notícias, SA voltava a afirmar-se no mercado.

De 18 passou para 24 páginas; chegou a dedicar uma parte do seu espaço à actividade cultural; teve muitas mutações no seu “layout” e de preto e branco passou a ser colorido, saindo invariavelmente com edições de 32 páginas.

Mas a concorrência no mercado agudizou-se ainda mais: para além do “Campeão”, nasciam o “Maratona”, “A Bola” e mais algumas revistas.

JORNAL DE BANDEIRA

Tido como jornal de bandeira a nível da Imprensa desportiva escrita, o “Desafio” tem vindo a cobrir toda a movimentação desportiva nacional e internacional, não havendo dúvidas, hoje por hoje, de que é a preferência número um dos leitores, mesmo com o nascimento de outras publicações similares.

Amanhã, terça-feira, vamos completar 27 anos de existência e não falimos por duas razões principais:

– fomos comparativos e competitivos no mercado; e

– tivemos e continuamos a ter um grande suporte da empresa-mãe, a Sociedade do Notíciais, SA.

É este desafio iniciado em 1987 que continua a desafiar todas as segundas-feiras, competindo ao leitor julgar se valeu a pena ou não a ideia dos que pensaram na sua criação, daqueles que, com o seu profissionalismo, amor e dedicação, têm dado todo o seu esforço para que semanalmente o leitor tenha nas mãos esta publicação, passados estes anos todos. 

Três directores editoriais e quatro chefes de Redacção

Ao longo dos 27 anos, o “Desafio” teve três directores editoriais e quatro chefes de Redacção.

A primeira pessoa que assumiu a liderança do jornal foi o jornalista Renato Caldeira, tendo sido sob a sua responsabilidade que a publicação deu os primeiros passos e posteriormente se afirmou no mercado nacional.

Como nada é eterno, e por razões internas que aqui não são chamadas publicamente, Caldeira viria a cessar as funções de director deste jornal, tendo sido imediatamente nomeado para o lugar vago o falecido jornalista Albuquerque Freire.

O mandato de Freire durou pouco tempo, uma vez que o velho (em idade e na profissão) foi acometido por uma doença que posteriormente exigiu dele que ficasse em repouso, em casa. Na altura, o jornal estava ainda sob a gestão da Mozsport, Lda., que, imediatamente, nomeou o jornalista Almiro Santos, inicialmente como director interino, e anos depois confirmava-o como efectivo no cargo, ele que até essa altura desempenhava as funções de editor.

O semanário “Desafio” tem como actual chefe da Redacção, desde 2008, o jornalista Reginaldo Cumbana, depois de terem ocupado o cargo os jornalistas, Alexandre Zandamela, Boavida Funjua e António Muiambo (falecido).

NUM TEMPO DE “BOOM” DESPORTIVO

Tiragens chegaram a 35 mil jornais/semana!

Nascemos no ano da transferência de Chiquinho Conde para o profissionalismo do futebol português; nascemos no ano em que Lurdes Mutola levantava a polémica de jogar futebol entre homens; nascemos no tempo em que, no futebol, ainda pontificavam jogadores como Calton, Chababe, Aly Hassane, Mabjaia, Zabo, Riquito, Zé Augusto, Pedro Novela, João Chissano, Faife, Luís Parruque, Tomás Inguane, Filipe, Nico, Nacir, Betinho e tantos outros craques; nascemos no tempo da Argetina da Glória, da Maria de Fátima (Fatiminha), Atumane Rajá, Rachide, Stélio Craveirinha, Ludovina de Oliveira, que brilhavam no atletismo; dos irmãos Amade e Naimo Mogne; de Aníbal Manave, Ernesto Júnior, Chirindza, Aurélia Manave, Esperança Sambo, etc., etc., que no tempo faziam parte da nata do desporto nacional, num tempo em que os campos e os pavilhões andavam superolotados, num tempo de vedetas.

Sem suadosismo, mas com alguma saudade, foi no tempo em que o “Desafio” chegou a lançar à rua 35 mil exemplares por semana e com pedidos de aumento da tiragem, que não era suficiente para a demanada.

Legendas

Directores

Renato Caldeira

Albuquerque Freire

Almiro Santos

Chefes de Redacção

1. Alexandre Zandamela

2. Boavida Funjua

3.António Muiambo

4. Reginaldo Cumbana

Domingos Elias, 27 anos a fotografar para o “Desafio” 

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Pos Equipe J DP Pts V E D GM GC
1. C. do Sol 6 +8 14 4 2 0 11 3
2. UD Songo 6 +3 12 4 0 2 9 6
3. Textafrica 6 -1 12 4 0 2 7 8
4. Nacala 6 +5 11 3 2 1 9 4
5. Fer. Beira 6 +3 9 3 0 3 9 6
6. Chibuto 6 +1 9 3 0 3 7 6
7. Fer. Maputo 6 0 9 3 0 3 6 6
8. LD Maputo 6 0 8 2 2 2 5 5
9. Incomáti 6 0 8 2 3 1 7 7
10. Maxaquene 6 0 7 2 1 3 4 4
11. Fer. Nacala 6 -3 7 2 1 3 8 11
12. Fer. Nampula 6 -2 5 1 3 2 6 8
13. Têx. Púnguè 6 -4 5 1 2 3 6 10
14. Des. Maputo 6 +1 4 1 2 3 8 7
15. B. de Pemba 6 -5 4 1 2 3 3 8
16. ENH 6 -6 4 0 4 2 5 11

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