Ganhar era obrigatório golear era um estado de graça

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A Selecção Nacional de Futebol, constituída apenas por jogadores que actuam internamente, mais concretamente no Moçambola, goleou a sua congénere das Ilhas Seychelles, por quatro bolas a zero.

No rescaldo de todo o jogo ficou claramente demonstrado que, para os moçambicanos, ganhar era obrigatório e golear era um estado de graça que estava em aberto.Ficamo-nospelos quatro, mas dava para “matraquilhar” os visitantes.

OSeleccionador Nacional, Gert Engles, esteve nas tintas com a ideia encomenda avançada nas vésperas deste jogo, segundo a qual o onze inicial dos Mambas devia ser constituído maioritariamente pelos jogadores da equipa campeã nacional, o Maxaquene. Apenas Gabito e Kito como titulares e o guarda-redes Acácio ficou como suplente de Pinto.

As razões do alemão?

Vai lá se saber, mas depois do jogo ninguém o pode tocar pela opção que teve.

Mesmo noutras equipas, as escolhas foram feitas a pente fino e tiveram que ficar de fora das opções jogadores como Kampango, João Mazive, Ruben e outros que até na selecção principal normalmente são convocados.

O PAÍS E A ILHA

Em momento algum esteve em causa a superioridade de Moçambique nos domínios de:

- posse de bola;

- recuperação de bola;

- construção do jogo marcadamente ofensivo;

- o jogar ostensivamente no meio-campo do adversário;

- o desfrutar de maior caudal ofensivo e maiores oportunidades de golo.

Em todos estes aspectos, o nosso País saiu-se bem, pecando, sublinhamos, na finalização de lances de golo certo que construiu.

E COMO REAGIU A ILHA?

Agiu como se fosse uma equipa arquipelizada, desunida;

- uma defesa que foi sufocada pela alavancas de ataques e contra-ataques dos moçambicanos, que acabou, de tanto se desgastada por cometer um erro por onde sofreu o primeiro golo;

- um meio-campo que foi incapaz de travar as incursões dos moçambicanos e permitiu o fluir do jogo do adversário pelos flancos e pela zona central, onde Dito (à esquerda), Momed Hagy (no miolo do terreno) e Zainadine Jr (pela direita) lançavam autêntico veneno para as costas da defesa dos visitantes e para a grande área, onde o pânico se instalava;

- um ataque sem apoio, facilmente anulado por Chico e Gabito;

- um ataque que não foi capaz de incomodar o guarda-redes Pinto.

AO INTERVALO COM RESULTADO MINGUADO

É legítimo questionar:

- porque razão Moçambique foi ao intervalo com um resultado minguado (1-0), quando foi dono e senhor do jogo, quando teve toneladas e toneladas de oportunidades de decidir a partida ainda na primeira parte?

Temos para nós respostas que não andarão muito longe da verdade. Estas:

- a ineficácia no momento de concretização por parte do ponta-de-lança Reginaldo;

- a infelicidade que Hélder Pelembe nos seus cabeceamentos, passando por duas vezes a bola a arrasar o travessão;

- a manifesta incapacidade de as unidades de ataque e do meio-campo aproveitarem o caudal ofensivo que Moçambique transportava pelo meio, pela direita e pela esquerda, sendo que nos últimos dois casos Dito e Zainadine Jr fartaram-se de enviar correspondência para a grande área, mas não havia lá carteiros para fazê-la chegar ao destino (fundo das redes).

De tudo isto resultou num festival de falhanços, num festival atacante que se frustrava na hora da finalização.

um replay a alguns desses lances aviva-nos as memórias do jogo:

-o cruzamento de Dito. Do lado esquerdo, surgindo Hélder Pelembe, sem marcação, a cabecear por cima do travessão;

- uma profusão de cruzamentos que não são aproveitados pelas unidades mais adiantadas do ataque moçambicano;

- cruzamento do lado esquerdo, Reginaldo dá um toque no esférico que se esbarra sobre o travessão. Na recarga, o mesmo Reginaldo cabeceia para o alivio da defesa.

- cruzamento de Diogo,  com a bola rente ao relvado, Reginaldo, em voo rasante, não consegue fazer-se ao esférico, com o público a gritar mamamia;

 - cruzamento de Zainadine Jr, há um defesa da Seychelles, cremos nós, que desvia a bola com a mão dentro da grande área, mas o árbitro entende que não h+a motivo para castigo máximo e manda assinalar pontapé de canto a favor de Moçambique

Estes foram os momentos de “boom” da representação moçambicana perante um molengar e espreguiçar da selecção da Seychelles.

FINALMENTE O GOLÃO DE DIOGO

Em termos de resultado, as coisas estavam a ficar feiras para Moçambique por não conseguir traduzir em golos todo um domínio técnico, territorial no jogo, até que:

- Até que Diogo saca do seu precioso pé esquerdo um fortíssimo remate. A bola bate no poste e resvala para  fundo das rendes.

Reginaldo ainda introduziu a bola na baliza, mas o árbitro invalidou o lance alegando uma irregularidade.

Fomos para o intervalo ainda com Reginaldo a recargar uma bola para o fundo das redes, mas o árbitro entendeu, uma vez mais, que estava em posição irregular.

A GOLEADA QUE

DEVIA TER SIDO MAIS-MAIS

A expectativa era:

-ver até onde podia aguentar se fechar na sua defesa a equipa da Seychelles;

- até onde o ataque moçambicano podia melhor o seu desempenho em termos de golos.

Reconhecendo que, de facto, estavam criadas todas as condições para se fazer um resultado histórico no Estádio Nacional de Zimpeto (ENZ), Moçambique partiu à busca dos golos que lhe faltava para coroar com êxito a sua exibição.

Foi exactamente Diogo que viria a marcar o seu segundo golo e o da partida, o que abria espaço para:

- Moçambique se apresentar mais desinibida;

-  mais tranquilo no pensar do seu jogo;

- mais galvanizado na busca de mais golos.

 

O adversário continuou a ser marcadamente ingénuo nos aspectos defensivos, na procura de posse de bola, no que fazer quando estava em posse dela; ademais, revelou uma gritante ingenuidade no ataque que não foi suficiente para fazer transpirar Gabito e Chico.

Perante este cenário todo, competia a Moçambique partir à busca de mais golos. Para tal, tinha que encontrar caminhos, espaços e sobretudo atinar com o alvo.

Seria Kito a ampliar o resultado para 3-0, na sequência de um cruzamento bandejado de Zainadine Jr.

O Estádio Nacional de Zimpeto embora longe estar cheio apresentou-se com um público razoável que apoiou os Mambas desde o principio até ao fim, demonstrando esse público as sequelas da derrota com Marrocos, que foi transformado por alguns círculos de pensamento num terramoto que engoliu o nosso país.

A equipa da Seychelles – acreditem – apenas conseguiu rematar uma única vez com intencionalidade e valeu a brilhante defesa de Pinto. no resto foi uma mediocridade própria vinda de pequenidade de uma ilha

Com uma exibição que se superiorizou em todos os capítulos ao adversário, com um resultado (3-0) que abria boas possibilidades de Moçambique seguir em frente no caminho de qualificação ao CAN interno, a nossa representação ainda chegou ao quarto golo por intermédio de Lanito.

Quatro-zero. Pouco? Muito?

Para nós, ganhar era obrigatório, golear por 4, 7 ou mesmo 10 era um estado de graça. Isto porque foram impercorríveis as distâncias que separaram competitivamente as duas selecções.

UM OLHAR À ARBITRAGEM

Victor Gomes teve uma actuação que deixou o público por vezes expectante, ao mandar prosseguir jogadas que aos olhos do árbitro da bancada tinham sido presididas por faltas. Isso aconteceu por quatro, cinco a seis vezes, tanto do lado das Seicheles, como do lado moçambicano. Criou um coçar de ouvido nos dois golos anulados a Moçambique alegadamente por irregularidade pelos seus protagonistas. No resto tentou aplicar a difícil imparcialidade, o fazer justiça às duas equipas e terminou o jogo sem que ninguém apontasse o dedo para ele.

 

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Moçambola 2019

Pos Equipe J V E D GC GM Pts DP
1. C. do Sol 30 20 6 4 25 56 64 +31
2. UD Songo 30 19 3 8 29 47 59 +18
3. Fer. Maputo 30 13 9 8 22 34 43 +12
4. Fer. Beira 30 12 9 9 25 34 43 +9
5. Fer. Nacala 30 12 5 13 31 28 40 -3
6. ENH 30 10 11 9 30 29 37 -1
7. LD Maputo 30 11 7 12 36 30 37 -6
8. Textafrica 30 11 7 12 30 22 37 -8
9. Des. Maputo 30 10 10 10 29 35 36 +6
10. Incomáti 30 10 10 10 31 29 36 -2
LD Maputo 5 : 4 Des. Maputo
Têx. Púnguè 1 : 1 Nacala
B. de Pemba 1 : 2 ENH
Chibuto 1 : 0 UD Songo
Fer. Nacala 1 : 0 Fer. Beira
Fer. Nampula 2 : 1 C. do Sol
Maxaquene 1 : 0 Fer. Maputo
Textafrica 1 : 1 Incomáti

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